Os setores que concentram a maior parte dos empregos formais no Brasil também estão entre os que pagam os menores salários médios. É o que aponta o relatório de Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados de 2024.
O levantamento analisou as 20 principais atividades econômicas do país e revelou que os dez maiores empregadores reúnem mais de 48,9 milhões de trabalhadores assalariados, o equivalente a mais de 90% do total de empregos formais. Apesar da forte geração de vagas, pelo menos seis desses setores pagam remunerações inferiores à média nacional, que foi de R$ 3.932,45 por mês em 2024.
Confira a remuneração média mensal dos principais setores analisados pelo IBGE:
- Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais: R$ 9.678,61
- Eletricidade e gás: R$ 8.539,07
- Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados: R$ 8.430,55
- Indústrias extrativas: R$ 7.540,71
- Informação e comunicação: R$ 6.937,59
- Administração pública, defesa e seguridade social: R$ 5.401,00
- Educação: R$ 4.562,62
- Atividades profissionais, científicas e técnicas: R$ 4.309,75
- Água, esgoto: R$ 4.184,18
- Indústria de transformação: R$ 4.110,68
- Média nacional: R$ 3.932,45
- Transporte, armazenagem e correio: R$ 3.833,74
- Saúde humana e serviços sociais: R$ 3.671,61
- Atividades imobiliárias: R$ 3.312,37
- Construção: R$ 3.209,03
- Artes, cultura, esporte e recreação: R$ 3.086,45
- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: R$ 2.863,59
- Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas: R$ 2.797,83
- Outras atividades de serviços: R$ 2.656,39
- Atividades administrativas e serviços complementares: R$ 2.392,97
- Alojamento e alimentação: R$ 2.080,17
O comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, maior empregador do país, reúne quase 10 milhões de trabalhadores assalariados, o equivalente a 18,2% do total. Mesmo assim, paga salário médio de R$ 2.797,83, um dos menores entre as atividades pesquisadas.
Já o segmento de atividades administrativas e serviços complementares emprega mais de 5,7 milhões de pessoas e registra remuneração média de R$ 2.392,97, superando apenas o setor de alojamento e alimentação, que aparece na última posição do ranking, com média de R$ 2.080,17.
Diferenças entre estados, escolaridade e gênero
O estudo também mostra que o Distrito Federal possui a maior remuneração média do país, equivalente a 4,1 salários mínimos. São Paulo ocupa a segunda posição, com média de 3,3 salários mínimos, enquanto o Rio de Janeiro aparece em terceiro, com 3,1 salários mínimos.
Segundo o IBGE, o desempenho do Distrito Federal é impulsionado pela forte presença da administração pública, que concentra cargos de maior remuneração nos três poderes. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os salários mais elevados refletem o peso de setores como serviços financeiros, indústria e grandes empresas.
A pesquisa também evidencia diferenças por escolaridade e gênero. Trabalhadores com ensino superior recebem, em média, R$ 7.776,59, quase três vezes mais do que aqueles sem diploma, cuja remuneração média é de R$ 2.742,41.
Entre homens e mulheres, a desigualdade permanece. Os homens recebem, em média, R$ 4.206 por mês, enquanto as mulheres têm remuneração média de R$ 3.608,04, uma diferença de 16,6%.




