O estado de Pernambuco passou a contar com uma nova legislação voltada à sustentabilidade urbana que estabelece a obrigatoriedade da instalação de telhados verdes em novas edificações com mais de quatro andares. A medida pretende minimizar problemas como ilhas de calor, enchentes e a redução das áreas verdes nas cidades, fenômenos que vêm se intensificando com o crescimento urbano.
A nova regra determina que os empreendimentos enquadrados na legislação adotem a cobertura vegetal sobre as lajes, conhecida como telhado verde, estrutura formada por camadas de impermeabilização, drenagem, substrato e vegetação. O descumprimento da norma pode resultar em multas que chegam a R$ 100 mil, conforme previsto na legislação estadual.
Os telhados verdes são considerados uma alternativa para amenizar os efeitos da urbanização intensa. Além de reduzir a temperatura das edificações e contribuir para o combate às chamadas ilhas de calor, o sistema melhora a qualidade do ar ao absorver dióxido de carbono e outros poluentes.

Outro benefício apontado por especialistas é a retenção da água da chuva. A vegetação instalada sobre as coberturas reduz o volume de água direcionado às redes de drenagem, diminuindo o risco de alagamentos e enchentes durante períodos de chuva intensa.
Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 87% da população brasileira vive em áreas urbanas. Em Pernambuco, esse índice chega a aproximadamente 84%, cenário que reforça a necessidade de soluções para tornar as cidades mais resilientes às mudanças climáticas.
Modelo já é adotado em diversos países
A tecnologia surgiu na Alemanha e hoje é amplamente utilizada em diferentes partes do mundo. O país é considerado uma das principais referências na implantação de telhados verdes, impulsionado por décadas de pesquisa e políticas públicas voltadas à sustentabilidade.
Na Europa, a França aprovou, em 2015, uma legislação que obriga novos edifícios em áreas comerciais a adotarem telhados com vegetação ou painéis solares. Cidades como Tóquio, no Japão, também possuem exigências semelhantes para determinadas construções.
Nos Estados Unidos, municípios como Washington, Chicago, Nova York e Filadélfia oferecem incentivos financeiros para estimular a adoção da tecnologia. Desde 2008, a área ocupada por telhados verdes no país praticamente dobrou, ultrapassando 17,5 milhões de metros quadrados.
Existem dois principais modelos de telhado verde. O sistema extensivo utiliza vegetação de pequeno porte, exige pouca manutenção e é mais comum em edifícios comerciais. Já o modelo intensivo funciona como um jardim suspenso, permitindo inclusive o plantio de arbustos, árvores e a criação de espaços de convivência.




