Representantes do setor agropecuário avaliam que o preço da carne pode sofrer novos reajustes nos próximos meses em razão das mudanças nas regras para o uso de antimicrobianos na produção animal. As novas exigências sanitárias estão previstas para entrar em vigor em 3 de setembro e já geram preocupação entre produtores, frigoríficos e integrantes do governo federal devido aos possíveis reflexos sobre a inflação dos alimentos.
Nos bastidores, lideranças do agronegócio têm alertado que o aumento dos custos de produção poderá chegar ao consumidor, principalmente no caso da carne de frango, atualmente a proteína animal mais consumida pelos brasileiros.
Segundo cálculos apresentados pelo setor, o impacto pode representar um acréscimo de aproximadamente R$ 0,15 por quilo da carne de frango caso não seja construída uma solução negociada entre produtores, governo brasileiro e União Europeia.

Mercado interno permanece cauteloso
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o mercado doméstico iniciou o segundo semestre com baixa liquidez e negociações limitadas.
Em São Paulo, principal praça pecuária do país, frigoríficos reduziram as ofertas de compra, enquanto muitos pecuaristas optaram por adiar as vendas por não aceitarem os preços oferecidos.
No Pará, as negociações também permaneceram restritas, com a arroba do boi gordo sendo comercializada entre R$ 315 e R$ 320 e escalas de abate variando de três a sete dias.
Já no Rio Grande do Sul, a oferta reduzida de animais prontos para o abate, influenciada pelo inverno e pela piora das pastagens, manteve as cotações firmes. As negociações ocorreram entre R$ 24 e R$ 27 por quilo de carcaça, enquanto os frigoríficos encontraram dificuldades para completar suas escalas de abate.
No atacado, a carcaça casada bovina foi negociada, em média, por R$ 23,84 o quilo à vista, mas o ritmo das vendas continua considerado lento devido ao consumo doméstico ainda moderado.
Regras sanitárias e exportações preocupam produtores
Além das mudanças relacionadas ao uso de antimicrobianos, o setor acompanha com atenção a decisão da União Europeia de suspender, a partir de setembro, as compras de carne bovina brasileira.
O embargo foi justificado pelas autoridades europeias com a alegação de que ainda não existem garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária brasileira.
Embora a participação da União Europeia nas exportações nacionais tenha diminuído nos últimos anos, o bloco continua entre os principais compradores da carne bovina brasileira. Em 2025, os 27 países europeus adquiriram cerca de 128,9 mil toneladas, volume equivalente a 3,7% das exportações do produto, ocupando a quarta posição entre os maiores mercados consumidores da carne brasileira.
Ao mesmo tempo, o setor também monitora a proximidade do limite das exportações destinadas à China, principal destino da carne bovina nacional.
Mesmo com a possibilidade de maior oferta no mercado interno em razão dessas restrições externas, especialistas avaliam que isso não significa, necessariamente, redução dos preços ao consumidor.




