A Volkswagen enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente diante de um plano de reestruturação que pode resultar no corte de até 100 mil empregos em todo o mundo e no fechamento de quatro fábricas na Alemanha. As propostas começaram a ser discutidas nesta quinta-feira (9) pelos grupos que controlam a maior montadora da Europa, enquanto trabalhadores realizam protestos contra as possíveis mudanças.
A empresa busca reformular um modelo de negócios que impulsionou seu crescimento por décadas, mas que passou a enfrentar dificuldades diante do aumento dos custos de produção, excesso de capacidade industrial no mercado alemão, avanço das montadoras chinesas e novas barreiras comerciais, como as tarifas de importação dos Estados Unidos.
Entre as plantas que podem ser afetadas estão as unidades de Hanover, Emden e Zwickau, da Volkswagen, e a fábrica da Audi em Neckarsulm. O plano também prevê a possibilidade de redução de até 50 mil empregos adicionais na Alemanha, além dos cortes já anunciados anteriormente.
A companhia já havia firmado, no fim de 2024, um acordo com sindicatos para eliminar cerca de 50 mil vagas no país até 2030, incluindo aproximadamente 35 mil postos ligados diretamente à marca Volkswagen. Na ocasião, a empresa havia prometido não fechar fábricas alemãs até o final da década.
Agora, o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, considera medidas mais amplas, que poderiam elevar os cortes para cerca de 100 mil funcionários globalmente, número equivalente a aproximadamente 16% da força de trabalho total do grupo.

Sindicatos prometem reação contra demissões
A possibilidade de fechamento de unidades gerou forte reação dos trabalhadores. A poderosa central sindical IG Metall organizou manifestações em fábricas da Volkswagen em diferentes regiões da Alemanha nesta quinta-feira.
A presidente da entidade, Christiane Benner, afirmou que os sindicatos irão combater as propostas de redução de empregos e fechamento de unidades. A representante afirmou, em conjunto com Daniela Cavallo, líder do conselho de trabalhadores da Volkswagen, que os planos serão enfrentados com todos os recursos disponíveis.
Concorrência chinesa e crise dos elétricos pressionam montadora
Entre os principais desafios enfrentados pela Volkswagen está a disputa no mercado de veículos elétricos. A empresa tem registrado dificuldades para competir com fabricantes chinesas, que ampliaram sua participação global com modelos mais baratos e maior velocidade de inovação.
Além disso, a montadora enfrenta margens menores de lucro no segmento elétrico, aumento dos custos operacionais e impactos das tarifas comerciais impostas por diferentes mercados.
A Volkswagen, que reúne marcas como Audi, Porsche e Seat, também analisa mudanças estruturais no grupo. Uma das possibilidades estudadas é separar ou reorganizar a marca Volkswagen e a divisão de componentes para tornar a companhia mais simples e eficiente.




