O governo do Peru iniciou um novo processo de bloqueio em massa de celulares como parte das ações para combater o roubo e o comércio ilegal de aparelhos no país. A medida, coordenada pelo Organismo Supervisor de Investimento Privado em Telecomunicações (Osiptel), prevê a desativação gradual de aproximadamente 360 mil celulares que apresentam irregularidades no cadastro nacional de dispositivos móveis.
O bloqueio começou no dia 7 de julho e atinge equipamentos que não constam na chamada “lista branca” do Registro Nacional de Equipamentos Terminais Móveis para a Segurança (Renteseg), além de aparelhos associados ao uso de códigos IMEI adulterados.
A operação foi dividida em três fases ao longo do mês. A primeira resultou na desativação de 120 mil celulares. Novas etapas estão programadas para os dias 14 e 21 de julho, quando outros 120 mil aparelhos serão bloqueados em cada data, totalizando cerca de 360 mil dispositivos retirados das redes móveis.
Segundo a Osiptel, a iniciativa faz parte de uma estratégia para impedir que celulares de origem irregular continuem funcionando e alimentem o mercado clandestino de eletrônicos.
Desde janeiro de 2026, mais de 2 milhões de aparelhos já foram bloqueados no Peru. Considerando o período desde abril de 2025, o total de celulares desativados ultrapassa 4,6 milhões.
Objetivo é combater roubos e reduzir crimes
De acordo com o órgão regulador, os bloqueios atingem principalmente aparelhos sem registro no Renteseg e que estejam vinculados a usuários reincidentes na utilização de celulares com IMEI adulterado.
O IMEI é um código de identificação exclusivo de cada aparelho celular. A alteração desse número é considerada uma prática utilizada para ocultar a origem de dispositivos roubados ou furtados e facilitar sua revenda no mercado ilegal.
As autoridades peruanas afirmam que a medida busca dificultar a circulação desses equipamentos e reduzir os crimes associados ao uso de celulares irregulares.
O fortalecimento dos mecanismos de controle ganhou prioridade após o governo identificar que 87% dos casos de extorsão registrados no país são praticados por meio de comunicações telefônicas anônimas, o que levou à ampliação das ações de fiscalização iniciadas no ano passado.
Operadoras avisam consumidores antes do bloqueio
O processo ocorre em parceria com as empresas de telefonia móvel. Após receberem a ordem de bloqueio emitida pela Osiptel, as operadoras têm prazo máximo de dois dias úteis para enviar mensagens de texto aos clientes informando sobre a futura desativação do aparelho e orientando sobre as medidas para regularizar a situação.
Os usuários podem verificar se seus celulares estão em situação regular consultando o número do IMEI, que pode ser obtido ao digitar *#06# no aparelho ou por meio das informações do dispositivo.
Em seguida, basta consultar o sistema do Renteseg para confirmar se o equipamento está registrado na lista de aparelhos autorizados.
Caso o celular tenha sido comprado no Peru e não esteja cadastrado, a orientação é procurar a empresa responsável pela venda para solicitar a inclusão do aparelho na lista branca. Já quem adquiriu o dispositivo no exterior para uso pessoal deve procurar sua operadora para realizar o registro.




