O Rio Grande do Sul deve viver uma semana de extremos climáticos em pleno inverno. Após os primeiros dias marcados pela atuação de uma massa de ar polar, com frio intenso e possibilidade de geadas, a previsão indica uma mudança brusca nas condições do tempo, com temperaturas que podem alcançar até 31°C a partir do fim da semana.
Segundo as previsões meteorológicas, a transição será provocada pelo enfraquecimento da massa de ar frio e pela entrada de ventos de norte e noroeste, que transportarão ar mais quente para o estado. A mudança também favorecerá o retorno das instabilidades, aumentando o risco de tempestades e volumes elevados de chuva.
A segunda-feira (13) começou sob influência de uma massa de ar polar que mantém o tempo firme em praticamente todo o Rio Grande do Sul. Com o afastamento das áreas de instabilidade, o sol aparece entre poucas nuvens e a atmosfera permanece mais seca e estável.
Nos primeiros dias da segunda quinzena de julho, um bloqueio atmosférico dificulta o avanço das frentes frias sobre o Centro-Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, um sistema de alta pressão impulsiona o ar frio sobre a Região Sul e parte do Sudeste, mantendo as temperaturas abaixo da média climatológica até quinta-feira (16).
Esse padrão também é observado pelo modelo europeu ECMWF, que aponta temperaturas inferiores ao normal em uma extensa faixa entre o Sul, o Sudeste e parte do Nordeste durante a primeira metade da semana.
Calor ganha força a partir de sexta-feira
O cenário começa a mudar entre quinta e sexta-feira (17), quando o bloqueio atmosférico perde intensidade sobre o Rio Grande do Sul.
Com isso, sistemas frontais voltam a avançar sobre o estado, enquanto o chamado jato de baixos níveis intensifica o transporte de ar quente e úmido da Amazônia para o sul do continente. O fortalecimento do jato subtropical também contribui para a rápida elevação das temperaturas.
A expectativa é de que diversas regiões gaúchas registrem máximas próximas dos 31°C, um comportamento incomum para o inverno e suficiente para fazer com que a média semanal fique entre 1°C e 3°C acima da climatologia, mesmo após o frio intenso do início da semana.
Na última semana do período analisado, entre os dias 20 e 27 de julho, o calor deverá se espalhar por praticamente todo o país. No Sul, as temperaturas poderão permanecer entre 3°C e 6°C acima da média histórica para a época do ano.
Mudança aumenta risco de temporais
Além da elevação das temperaturas, a mudança na circulação atmosférica deve favorecer a formação de áreas de instabilidade sobre o Rio Grande do Sul.
O encontro entre o ar quente e úmido vindo da Amazônia e os sistemas frontais cria condições favoráveis para tempestades, com possibilidade de chuva intensa e acumulados acima da média entre os dias 17 e 22 de julho.
Enquanto isso, o bloqueio atmosférico continuará reduzindo as precipitações em boa parte do Centro-Sul do país, deixando Santa Catarina, Paraná, parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul com volumes de chuva abaixo da média no mesmo período.
Já no território gaúcho, a tendência é oposta. A atuação mais frequente das frentes frias deverá manter os acumulados elevados também entre os dias 20 e 27 de julho, embora esses sistemas encontrem maior dificuldade para avançar em direção às demais regiões do Centro-Sul do Brasil.








