O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda incluir na proposta de Orçamento de 2027 um aporte nos Correios inferior a 6 bilhões de reais, conforme apurou a Folha de S.Paulo. O valor estaria abaixo do exigido em contrato pelos bancos que concederam à estatal um empréstimo de 12 bilhões de reais no final do ano passado.
A União poderia complementar o montante ao longo do exercício mediante contingenciamento em outras áreas, mas a ideia enfrenta resistência interna. Técnicos consideram a subestimação da despesa um risco orçamentário.
A situação financeira dos Correios tem impacto direto na capacidade de prestar serviços. Se a empresa não tiver recursos para custear sua operação, a manutenção e modernização da frota, a contratação de pessoal e o investimento em tecnologia podem ser comprometidos. Isso afetaria a eficiência logística, provocando atrasos no rastreamento e na entrega de encomendas.
Cláusula do aporte foi uma condição imposta
De acordo com a Folha, a cláusula do aporte foi uma condição imposta pelas cinco instituições financeiras participantes da operação, Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander, e formalizada no contrato obtido pelo jornal.
O documento estabelece que a União se compromete a honrar o vencimento antecipado da dívida caso não realize o aporte mínimo de 6 bilhões de reais entre 2026 e 2027. Caso a exigência não seja cumprida, o Tesouro teria de quitar integralmente os 12 bilhões de reais de uma só vez, acrescidos de encargos.
A Folha informou que o governo ainda não previu nenhum valor para o aporte em 2026, o que concentraria toda a obrigação no ano seguinte. A definição deve ocorrer nas proximidades do envio do projeto de Lei Orçamentária Anual ao Congresso, previsto para 31 de agosto. Enquanto isso, os Correios negociam um segundo empréstimo de 7 bilhões de reais com instituições privadas, como Citibank e Deutsche Bank, conforme revelou a Folha.








