O bloqueio no estreito de Ormuz, decorrente do conflito no Oriente Médio, já estaria provocando efeitos em cadeia sobre a produção global de alimentos, segundo Svein Tore Holsether, diretor-executivo da Yara, em entrevista à BBC. Para ele, a interrupção do transporte de insumos essenciais comprometeria a oferta de refeições, com impactos mais severos sobre países de baixa renda.
Holsether afirmou que a redução no uso de fertilizantes nitrogenados poderia derrubar a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra. As regiões mais atingidas seriam Ásia, Sudeste Asiático, África e América Latina. Em locais como a África subsaariana, os efeitos seriam ainda mais graves.
“O que isso significa para a produção de alimentos? Eu estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado da falta de fertilizantes”, declarou à BBC.
Impacto sobre culturas
A instabilidade geopolítica ameaça gravemente a segurança alimentar global. Embora especialistas apontem que alguns países ainda mantêm estoques para o cultivo imediato, especialistas alertam que o impacto sobre safras essenciais, como a do arroz, se tornará inevitável caso o cenário se prolongue.
Especialistas destacam uma alta de 80% nos fertilizantes, impulsionada pelo fato de que uma parcela expressiva do comércio mundial desse insumo cruza uma única rota logística estratégica.
Especialistas advertem também sobre o risco iminente de que a corrida por mantimentos favoreça as nações mais abastadas em detrimento das menos favorecidas, ressaltando que a garantia do abastecimento nos mercados mais ricos acabe retirando a comida da mesa das populações vulneráveis.






