Um estudo baseado em dados de 2024 identificou que cerca de 6,6 milhões de famílias cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico) aparecem como pobres no sistema, mas não seriam consideradas nessa condição quando avaliadas pelos critérios de renda utilizados pelo Bolsa Família. A pesquisa, desenvolvida por especialistas do Insper a partir do cruzamento de bases de dados oficiais, não conclui que haja irregularidades, mas indica a necessidade de análises mais detalhadas para garantir que os programas sociais alcancem corretamente o público-alvo.
O levantamento utilizou informações do Cadastro Único e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que reúne dados sobre renda, emprego e condições de vida da população.
Segundo os pesquisadores, o número de famílias classificadas como pobres no Cadastro Único é, em média, 29% superior ao estimado pela Pnad Contínua. Em algumas regiões do país, como o município do Rio de Janeiro, a Baixada Fluminense e o entorno metropolitano de Cuiabá (MT), essa diferença ultrapassa 50%.
Para os autores do estudo, esses resultados devem ser investigados para verificar se há necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de atualização cadastral e de direcionamento das políticas públicas.
O que isso significa para os beneficiários?
O levantamento não significa que 6,6 milhões de famílias perderão automaticamente benefícios nem altera, por si só, as regras do Bolsa Família. O estudo apenas aponta divergências estatísticas entre duas bases de dados oficiais, utilizadas para finalidades diferentes.
Atualmente, o Bolsa Família atende famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa. O programa garante um benefício mínimo de R$ 600 por família, além de adicionais para crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes.
O Cadastro Único continua sendo a principal porta de entrada para programas sociais do governo federal, mas os beneficiários precisam manter seus dados sempre atualizados para evitar inconsistências.
Bolsa Família apresenta resultados na redução da pobreza
Apesar das diferenças identificadas pelo estudo, pesquisas recentes apontam que o Bolsa Família tem contribuído para reduzir a pobreza e ampliar a inclusão social.
Um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), intitulado Filhos do Bolsa Família: Uma análise da última década do programa, mostrou que 60,68% dos beneficiários cadastrados em 2014 deixaram o programa até 2025. Entre aqueles que eram adolescentes no início do período, a taxa de saída foi ainda maior, chegando a 71,25% entre jovens que tinham de 15 a 17 anos.
O estudo também aponta crescimento da inserção de ex-beneficiários no mercado formal de trabalho, resultado associado tanto à transferência de renda quanto às exigências do programa relacionadas à frequência escolar, vacinação e acompanhamento de saúde.
Os dados também acompanham um cenário de melhora dos indicadores sociais do país. Segundo o IBGE, 2024 registrou os menores índices de pobreza e extrema pobreza desde o início da série histórica, em 2012.








