Meteorologistas alertam para uma semana de tempo severo no Sul do Brasil. Nos próximos sete dias, a combinação entre a influência do El Niño, a passagem de frentes frias e a formação de dois ciclones extratropicais deve provocar temporais, rajadas de vento e acumulados expressivos de chuva, principalmente no Rio Grande do Sul, mas também em Santa Catarina, Paraná e parte do Mato Grosso do Sul.
A previsão indica que a mudança nas condições do tempo começou nesta segunda-feira (27), com a intensificação das instabilidades sobre o território gaúcho. Em algumas áreas do estado, os volumes de chuva podem superar 100 milímetros em apenas 48 horas.
As primeiras áreas de instabilidade se formaram sobre a Argentina e avançaram para o extremo oeste do Rio Grande do Sul ainda durante a manhã. Ao longo da tarde, os temporais se espalharam pelo Oeste, Campanha, Missões e metade sul do estado, alcançando também a região de Porto Alegre entre o fim do dia e o início da noite.
Durante a noite, o risco de eventos severos aumenta, especialmente nas regiões Oeste, Sul e Campanha, onde há possibilidade de chuvas intensas acompanhadas por rajadas de vento e descargas elétricas.
Na terça-feira (28), a previsão mantém o cenário de instabilidade. As primeiras horas do dia ainda devem registrar temporais no Oeste, Missões, Região Central e Sudeste gaúcho. Enquanto isso, a região metropolitana de Porto Alegre deve receber chuva de fraca a moderada intensidade.
Com o avanço de uma frente fria, as instabilidades tendem a se expandir para a metade norte do estado, incluindo Serra Gaúcha e região central. Durante a tarde, as chuvas continuam de moderada a forte intensidade, embora o risco de fenômenos severos diminua temporariamente.
Já durante a noite, uma nova área de instabilidade deve se formar sobre o Rio Grande do Sul, renovando o alerta para temporais severos nas regiões das Missões, Oeste, Norte, Serra e Centro do estado.

Frente fria avança para outros estados
Depois de atingir o território gaúcho, a frente fria associada ao ciclone extratropical avança em direção a Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, ampliando o risco de chuvas fortes e tempestades nessas áreas ao longo dos próximos dias.
Segundo os modelos meteorológicos, o sistema poderá manter o tempo instável durante praticamente toda a semana, exigindo atenção especial para possíveis alagamentos, enxurradas, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica nas regiões mais afetadas.
El Niño e contraste de massas de ar favorecem ciclones
Especialistas explicam que o Sul do Brasil reúne condições naturais favoráveis à formação de sistemas meteorológicos intensos. A região funciona como ponto de encontro entre massas de ar frio e seco vindas do Polo Sul e massas de ar quente e úmido provenientes da Amazônia.
Nos últimos anos, o aquecimento das águas do oceano, intensificado pelo El Niño, aumentou a quantidade de umidade transportada para a região. Esse cenário fortalece o contraste térmico quando o ar polar avança, criando condições ideais para o desenvolvimento de ciclones extratropicais.
Outro fator que contribui para o aumento da instabilidade é a atuação dos chamados “rios atmosféricos”, corredores de umidade que transportam vapor d’água da Amazônia e do oceano em direção ao Sul. Ao encontrar o ar frio, essa umidade se condensa rapidamente, favorecendo a ocorrência de chuvas volumosas, tempestades e ventos intensos em um curto intervalo de tempo.








