A previsão de um novo episódio do El Niño a partir do segundo semestre deste ano acendeu um alerta nas autoridades de saúde brasileiras. Além de favorecer tempestades, chuvas intensas e mudanças no regime climático em diferentes regiões do país, o fenômeno também pode criar condições ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue e chikungunya.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica orientando estados e municípios a reforçarem as ações de vigilância, prevenção e combate ao mosquito. O alerta foi emitido após análises baseadas em projeções da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que indicam a possibilidade de um El Niño de intensidade moderada a forte.
Segundo o Ministério da Saúde, o aumento das temperaturas, combinado com períodos de chuva intensa em algumas regiões e estiagem em outras, favorece a formação de criadouros do Aedes aegypti. Em áreas com chuvas frequentes, o acúmulo de água facilita a reprodução do mosquito. Já nas regiões mais secas, o armazenamento de água pela população também pode ampliar o risco de proliferação do vetor quando feito sem os devidos cuidados.
Com base nas projeções do sistema InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027, caso as condições climáticas previstas se confirmem. O ministério ressalta, porém, que a estimativa poderá ser atualizada conforme novos dados epidemiológicos e meteorológicos forem incorporados aos modelos de monitoramento.
Nesta temporada, especialistas também têm observado maior circulação do sorotipo 3 da dengue. Apesar disso, a variante não é considerada mais agressiva do que as demais. O principal risco está nas pessoas que já tiveram dengue anteriormente, já que uma segunda infecção por outro sorotipo pode aumentar a probabilidade de evolução para formas mais graves da doença.

Ministério recomenda reforço na prevenção
Entre as orientações encaminhadas aos gestores públicos estão a intensificação da vigilância epidemiológica, a realização de bloqueios de transmissão logo após a identificação dos primeiros casos suspeitos, a reorganização das equipes de combate às endemias e a ampliação do uso das tecnologias de controle vetorial já adotadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O governo federal também recomenda fortalecer as campanhas de conscientização para estimular a população a eliminar possíveis criadouros do mosquito e procurar atendimento médico ao surgimento dos primeiros sintomas de dengue ou chikungunya.
Entre as medidas preventivas estão:
- eliminar recipientes que acumulem água parada;
- manter caixas-d’água e reservatórios devidamente fechados;
- limpar calhas, ralos e áreas que possam reter água;
- descartar corretamente pneus, garrafas e outros objetos;
- buscar atendimento médico diante de sintomas como febre alta, dores no corpo, manchas na pele e dor atrás dos olhos.
Casos seguem em queda, mas vigilância continua
Apesar da preocupação com os próximos meses, os dados mais recentes mostram uma redução significativa das arboviroses no país. Até 20 de junho de 2026, o Brasil registrou 392,8 mil casos prováveis de dengue, número 73% menor do que o contabilizado no mesmo período de 2025.
Os registros de chikungunya também apresentaram queda, com redução de 46% em relação ao ano anterior.
Para o Ministério da Saúde, os resultados refletem a eficácia das ações de controle realizadas até o momento, mas não eliminam a necessidade de manter a vigilância.








