A fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode chegar ao fim antes do prazo inicialmente previsto pelo governo federal. O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou ao veículo Record que a expectativa é zerar o estoque de requerimentos pendentes entre setembro e outubro de 2026. Atualmente, segundo o ministro, entre 370 mil e 377 mil pedidos aguardam análise.
A previsão representa uma antecipação em relação ao planejamento inicial da pasta, que estimava concluir a redução da fila apenas até o fim do ano. Segundo Queiroz, a queda acelerada no volume de solicitações acumuladas permitiu revisar a projeção.
Dados do Ministério da Previdência mostram que o número de pedidos pendentes teve uma forte redução ao longo de 2026. O estoque, que atingiu um recorde de 3,1 milhões de requerimentos em fevereiro, caiu para cerca de 1,5 milhão em julho.
O governo atribui parte da redução ao aumento da capacidade de análise do órgão. Entre janeiro e maio deste ano, a média mensal de requerimentos negados chegou a 668,6 mil, alta de aproximadamente 70% em comparação ao mesmo período de 2025, quando o número médio de indeferimentos era de 395 mil por mês.
O volume de negativas é o maior registrado desde 2021. Em 2026, cerca de 49,6% dos pedidos apresentados foram indeferidos, o equivalente a quase metade das solicitações.
Ao mesmo tempo, as concessões de benefícios também aumentaram. A média mensal passou de 608,6 mil para 683,8 mil concessões entre janeiro e maio, crescimento de 12,3%.
Meta considera fim dos pedidos com mais de 45 dias
O Ministério da Previdência considera que a fila será “zerada” quando deixarem de existir requerimentos com mais de 45 dias aguardando resposta. Nesse critério, o estoque atual é de aproximadamente 486 mil pedidos, número que já chegou a 1,882 milhão, representando uma redução de 74%.
O tempo médio para concessão de benefícios também apresentou melhora nos últimos anos. Em 2021, a espera média era de 108 dias, enquanto no fim de junho de 2026 caiu para 50 dias.
Segundo a pasta, a proporção entre concessões e negativas permanece próxima de 50%, embora os indeferimentos tenham apresentado queda recente, chegando a uma média em que aproximadamente cinco de cada dez pedidos são recusados.
Redução ocorre mesmo com menos servidores
O governo destaca que os resultados foram alcançados mesmo com a diminuição do quadro de funcionários do INSS e da perícia médica federal.
De acordo com a Previdência, em dezembro de 2015 a estrutura contava com cerca de 37,5 mil servidores. Atualmente, são aproximadamente 22,2 mil servidores ativos, uma redução superior a 40% em uma década.
A pasta também aponta aumento na demanda pelos serviços previdenciários. Em 2025, foram registrados 13,682 milhões de pedidos, contra 7,55 milhões em 2020, período marcado pela pandemia de Covid-19 e pelo aumento de solicitações relacionadas a benefícios como auxílio por incapacidade temporária e pensão por morte.
Pendências de documentos ainda dificultam avanço
Outro desafio para o governo é a chamada fila de segurados em cumprimento de exigência, quando o beneficiário precisa apresentar documentos complementares para que o pedido continue sendo analisado.
Em janeiro de 2026, havia 812 mil segurados nessa situação. O número caiu para 777 mil em julho, uma redução de 4,13%. Considerando o pico registrado em fevereiro, quando havia 1,144 milhão de pedidos pendentes por documentação, a queda chega a 32,08%.












