Um tsunami deverá atingir o Mar Mediterrâneo nos próximos 30 anos, segundo avaliações da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO. A previsão voltou a chamar atenção após novos terremotos registrados em diferentes partes do mundo, incluindo o tremor ocorrido na Colômbia, mas não há relação direta com o terremoto colombiano.
O alerta científico está baseado em análises estatísticas e geológicas sobre a atividade sísmica e vulcânica do Mediterrâneo. Uma das principais áreas de preocupação é a falha de Averroes, localizada no fundo do Mar de Alborán, aproximadamente entre o litoral de Málaga, na Espanha, e o norte da África.
A avaliação da UNESCO indica uma probabilidade elevada de ocorrência de uma onda com mais de um metro de altura na região. Isso, porém, não significa que os cientistas saibam exatamente quando, onde ou com qual intensidade o próximo tsunami ocorrerá.
Mediterrâneo também está sujeito a grandes ondas
Embora seja conhecido por águas relativamente tranquilas quando comparado ao Oceano Pacífico, o Mediterrâneo está situado em uma região de intensa atividade geológica. Diferentes placas tectônicas se encontram na área, criando condições favoráveis para terremotos e outros fenômenos capazes de deslocar grandes volumes de água.
Os tsunamis podem surgir principalmente quando um terremoto provoca um deslocamento repentino do fundo do mar. Deslizamentos submarinos e atividades vulcânicas também podem desencadear o fenômeno.

Em águas profundas, as ondas podem atravessar grandes distâncias sem apresentar efeitos tão perceptíveis. Quando chegam às regiões costeiras e mais rasas, entretanto, podem aumentar significativamente de altura e causar fortes correntes e inundações.
Por ser uma bacia marítima relativamente fechada, o Mediterrâneo pode apresentar impactos particularmente rápidos em áreas próximas ao ponto de origem.
Falha de Averroes é uma das áreas monitoradas
A falha localizada no Mar de Alborán é considerada uma das zonas que merecem atenção devido ao seu potencial sísmico. Um terremoto submarino suficientemente forte poderia deslocar o leito marinho e provocar o deslocamento de uma grande massa de água.
Em determinados cenários, o tempo entre a ocorrência do terremoto e a chegada das primeiras ondas pode ser extremamente curto. Em áreas próximas à origem, especialistas apontam que o intervalo pode ficar abaixo de dez minutos.
Quando o evento ocorre mais distante, o tempo de deslocamento aumenta. Um tsunami originado ao norte da África, por exemplo, poderia alcançar a Riviera Francesa em menos de uma hora e meia.
Europa já registrou tsunamis no Mediterrâneo
O risco não é apenas teórico. Registros históricos mostram que diferentes regiões do Mediterrâneo já foram atingidas por tsunamis.
Em 2003, um terremoto de magnitude 6,9 próximo a Boumerdès, na Argélia, provocou alterações significativas no nível do mar ao longo da costa mediterrânea francesa. Em portos da Riviera Francesa foram observadas quedas do nível da água, fortes correntes, redemoinhos e danos a embarcações.
Outro episódio ocorreu em 1979, em Nice, na França. Um colapso submarino relacionado às obras de construção de um novo porto provocou um tsunami que atingiu áreas de Nice, Antibes e Cannes. O desastre deixou oito mortos.
Já em 1887, um terremoto submarino estimado entre 6,5 e 6,8 na escala Richter provocou um tsunami no Mar da Ligúria. Relatos históricos descrevem o recuo repentino do mar em Antibes e Cannes, seguido pela chegada de uma onda de aproximadamente dois metros.
França e Espanha reforçam sistemas de alerta
Diante da possibilidade de novos eventos, países europeus desenvolveram mecanismos para reduzir o impacto de um eventual tsunami.
A França mantém desde 2012 o Centro Nacional de Alerta de Tsunamis, conhecido como Cenalt. O sistema monitora terremotos potencialmente capazes de gerar ondas e pode transmitir alertas às autoridades em menos de 15 minutos.
O país também possui um protocolo específico para os primeiros momentos após um tsunami, além da plataforma FR-Alert, que permite enviar mensagens diretamente aos celulares de pessoas localizadas em áreas de risco.
Na Espanha, existe um plano nacional de proteção civil voltado especificamente para tsunamis, com sistemas destinados a identificar terremotos submarinos e coordenar a resposta das autoridades.
A Itália também monitora riscos associados aos vulcões submarinos das Ilhas Eólias. Uma missão da UNESCO realizada em 2022 avaliou a possibilidade de atividades vulcânicas desencadearem ondas capazes de atingir áreas costeiras.












