A China avançou mais uma etapa na corrida pelo desenvolvimento de robôs humanoides com a apresentação do U1, novo modelo da empresa UBTECH que combina aparência ultrarrealista, inteligência artificial e possibilidade de personalização. O equipamento pode assumir características de uma pessoa real, incluindo rosto e voz, abrindo espaço até mesmo para a reprodução virtual de pessoas que já morreram.
O robô faz parte da linha UWorld, voltada ao mercado consumidor, e foi apresentado pela companhia como um humanoide de tamanho real desenvolvido principalmente para interação e companhia. A proposta representa uma mudança em relação aos robôs domésticos tradicionais, já que o foco não está apenas em tarefas práticas, mas também na criação de vínculos emocionais com os usuários.
Uma das características mais chamativas do U1 é a possibilidade de personalizar a aparência. A tecnologia permite que o humanoide seja configurado para reproduzir o rosto e a voz de uma pessoa real, o que, em determinadas circunstâncias, poderia possibilitar a criação de uma representação robótica de alguém que já morreu.
A proposta coloca o U1 em uma categoria diferente dos humanoides desenvolvidos exclusivamente para trabalhar em fábricas, armazéns ou outras atividades operacionais. A UBTECH pretende transformar o robô em uma espécie de companheiro capaz de conversar, reconhecer o tom de voz, manter contato visual e armazenar informações sobre as interações.
O sistema também conta com memória local criptografada, segundo a empresa, permitindo que informações sejam processadas sem necessariamente serem enviadas para servidores externos.
Mais de 5 mil unidades já foram reservadas
O interesse inicial pelo produto também chamou atenção. A UBTECH abriu as pré-vendas do U1 em 2 de junho pela plataforma JD.com, com depósito de 3 mil yuans, aproximadamente US$ 440 ou R$ 2000.
Até 21 de junho, a empresa informou que havia ultrapassado 5 mil pré-encomendas. Antes disso, os números indicavam quase 4 mil reservas e mais de 10 milhões de yuans, cerca de US$ 1,47 milhão, em depósitos realizados em apenas dez dias.
O lançamento oficial do produto estava programado para 30 de junho, enquanto as primeiras entregas deveriam ocorrer até 15 de setembro.
Apesar da procura, os números não significam necessariamente que os robôs humanoides já tenham alcançado uma adoção em massa. O desempenho inicial das vendas, porém, indica que existe um mercado interessado em máquinas que ofereçam interação e companhia, além de executar tarefas.
Aparência humana ainda revela limitações
O U1 utiliza pele de silicone desenvolvida para reproduzir características do corpo humano. Pessoas que tiveram contato com o material relataram uma textura semelhante à pele humana, embora com uma temperatura mais fria.
O robô também consegue interpretar o tom de voz do interlocutor e responder às interações por meio de sistemas de inteligência artificial. A empresa afirma que o equipamento consegue manter conversas e estabelecer contato visual, dois elementos importantes para tornar a experiência mais próxima de uma interação humana.
A semelhança, contudo, ainda está longe de ser perfeita. Os movimentos das articulações revelam a presença dos motores internos, enquanto as limitações físicas e a movimentação do corpo deixam evidente que se trata de uma máquina.
A chamada inteligência emocional do U1 também não corresponde a sentimentos reais. As respostas são produzidas por reconhecimento de padrões e sistemas de inteligência artificial capazes de prever e gerar linguagem.
UBTECH aposta no mercado de companhia
A estratégia da fabricante está ligada à ideia de criar uma nova categoria de consumo baseada na interação entre humanos e máquinas.
A UBTECH destaca que aproximadamente 90 milhões de pessoas vivem sozinhas na China e aponta possíveis aplicações do U1 em cuidados com idosos, recepção, hotelaria e serviços domésticos de alto padrão.
O diretor de marca da empresa, Michael Tam, classificou o mercado de relacionamento entre humanos e robôs como uma oportunidade de grande potencial emocional e de acompanhamento ao longo da vida.
Nesse contexto, a possibilidade de personalizar o humanoide com características de uma pessoa específica amplia ainda mais o debate sobre a finalidade dessas máquinas. Um robô capaz de reproduzir a aparência e a voz de alguém pode ser utilizado como companhia, mas também levanta questões sobre memória, identidade, privacidade e os limites éticos da tecnologia.











