A McLaren decidiu olhar para o passado para definir parte de seu futuro. Durante a Monterey Car Week, na Califórnia, a fabricante britânica apresentou o conceito McL 6GT, supercarro que resgata um elemento praticamente desaparecido de seus modelos: o câmbio manual. A solução não ficará restrita ao protótipo, já que a empresa confirmou que o conceito antecipa um modelo de produção previsto para chegar ao mercado em 2028.
A novidade representa o retorno de um câmbio manual à linha da marca mais de três décadas depois do lendário McLaren F1. O novo modelo terá construção leve em fibra de carbono, motor V8 a combustão montado em posição central e tração traseira, combinando características tradicionais da fabricante com uma proposta voltada à experiência de condução.
A transmissão de seis velocidades é apresentada pela McLaren como um câmbio manual “autêntico”. A empresa ainda não revelou todos os detalhes técnicos do sistema, incluindo a maneira exata como a transmissão será conectada ao conjunto mecânico.
A dúvida é relevante porque alguns supercarros recentes utilizam sistemas que simulam a experiência de um câmbio manual, enquanto modelos como o Pagani Utopia e o GMA T.50 recorrem a uma configuração convencional, com pedal de embreagem e conexão mecânica entre os comandos e o sistema de transmissão.
No caso do McL 6GT, a descrição da fabricante indica uma abordagem mais tradicional, mas os detalhes deverão ser divulgados posteriormente.
O retorno da transmissão manual também estabelece uma ligação direta com o McLaren F1, modelo que se tornou um dos maiores símbolos da história da marca e que utilizava câmbio manual. A versão GTR de 1996, inclusive, está prevista para ser oferecida em um leilão da RM Sotheby’s durante a programação de Monterey, com expectativa de alcançar aproximadamente US$ 35 milhões.

Visual rompe com a identidade atual da marca
O câmbio não é a única característica que diferencia o McL 6GT. O desenho do conceito também representa uma ruptura significativa com os modelos contemporâneos da McLaren.
Em vez das linhas extremamente condicionadas pela aerodinâmica que caracterizam carros como o 750S e o Artura, o novo protótipo adota superfícies mais limpas e formas marcantes. O projeto tem inspiração nos protótipos de competição da década de 1960 e também estabelece uma conexão com o M6 GT, protótipo desenvolvido pela McLaren na década de 1970.
Apesar da inspiração histórica, o design não é uma simples reprodução de modelos antigos. A carroceria de fibra de carbono apresenta entradas de ar na dianteira, elementos destinados à passagem e extração do fluxo de ar e soluções de refrigeração integradas ao desenho.
A traseira também abandona as formas fluidas comuns aos atuais McLaren e adota uma aparência mais robusta.
Interior aposta na sensação de dirigir
A filosofia de resgatar a experiência mecânica também aparece dentro do veículo. O interior do McL 6GT terá diversos comandos de alumínio usinado, incluindo superfícies trabalhadas para proporcionar maior sensação tátil.
O câmbio foi projetado para oferecer peso e resistência específicos durante as trocas. Há ainda uma pequena referência à origem do fundador da McLaren: uma representação de um kiwi foi incorporada ao próprio pomo da alavanca, em homenagem a Bruce McLaren, neozelandês que criou a marca.

O modelo também mantém a preferência da fabricante pela direção hidráulica, solução que contribui para uma condução mais conectada aos comandos mecânicos do automóvel.
Até o volante recebeu uma releitura do antigo logotipo da McLaren, reforçando a intenção de combinar elementos históricos com uma proposta completamente nova.
Novo modelo inaugura uma nova fase
A apresentação acontece depois de um período de dificuldades financeiras e comerciais para a McLaren Automotive. Em abril de 2025, a empresa foi adquirida pela CYVN Holdings, de Abu Dhabi, e integrada à startup de veículos elétricos de luxo Forseven.
Desde então, a fabricante passou meses reavaliando sua estratégia de desenvolvimento de veículos e sua relação com os consumidores. A apresentação do McL 6GT marca, portanto, o primeiro movimento de uma nova sequência de lançamentos planejada pela companhia.
O projeto também representa uma mudança de posicionamento. A McLaren tradicionalmente se destacou por apostar no limite da tecnologia e do desempenho, com seus modelos fortemente influenciados pela busca de eficiência aerodinâmica e soluções avançadas.
Agora, a empresa pretende acrescentar à fórmula elementos de sua própria história.
McL 6GT será mais exclusivo
Embora ainda seja apresentado como conceito, o McL 6GT já possui uma missão definida: antecipar um modelo de produção que deverá ser lançado em 2028.
A novidade ocupará uma posição mais exclusiva dentro da gama da McLaren, próxima à filosofia da Ultimate Series, em vez de disputar diretamente o mesmo espaço de modelos como o 750S e o Artura.
A fabricante ainda não divulgou potência, desempenho, preço ou todos os detalhes técnicos do futuro supercarro. Mesmo assim, a combinação entre motor V8, estrutura de fibra de carbono, tração traseira e transmissão manual já estabelece uma identidade própria para o projeto.











