A epidemia de Ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDC) avança em ritmo considerado sem precedentes no país e colocou autoridades internacionais de saúde em estado de alerta. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o surto está “longe de estar sob controle” e advertiu que a resposta internacional ainda tenta acompanhar a velocidade de transmissão do vírus.
O atual cenário já ultrapassou o número de mortes registrado no grande surto de Ebola que atingiu a RDC entre 2018 e 2020. Cerca de três meses depois da declaração oficial da epidemia, em 15 de maio de 2026, mais de 4,9 mil casos confirmados e 2,3 mil mortes foram registrados pelas autoridades de saúde e agências internacionais.
A situação também preocupa pela velocidade com que novos casos aparecem. No período mais recente de 24 horas analisado, foram contabilizados 101 novos casos confirmados e 53 mortes, além de 34 pessoas recuperadas.

Surto avança por seis províncias
A epidemia atual está relacionada ao vírus Bundibugyo, uma forma rara de Ebola identificada pela primeira vez em Uganda em 2007. Diferentemente da variante Zaire, responsável pelo surto de 2018 a 2020, o Bundibugyo ainda não possui vacina licenciada nem tratamento específico aprovado.
A transmissão permanece ativa em 55 zonas de saúde distribuídas por seis províncias da RDC. Segundo a OMS, os primeiros casos foram identificados na província de Ituri, mas posteriormente a doença alcançou outras áreas.
O avanço fez com que a Organização das Nações Unidas classificasse a situação como a epidemia de Ebola de crescimento mais rápido já registrada no território congolês. A estimativa apresentada pelas Nações Unidas indica que a doença estaria provocando aproximadamente uma morte a cada 30 minutos.
A epidemia atual é inferior apenas, em número total de casos, ao surto de Ebola ocorrido na África Ocidental entre 2014 e 2016, que registrou 28.616 casos e 11.310 mortes. Entretanto, a velocidade com que o Bundibugyo vem provocando mortes é considerada particularmente preocupante.
Conflitos e falta de estrutura dificultam combate
A resposta das autoridades enfrenta obstáculos importantes. A infraestrutura de saúde insuficiente, os conflitos armados em regiões afetadas, a movimentação da população e a dificuldade de identificação rápida dos casos estão entre os fatores que favorecem a disseminação do vírus.
Outro desafio é a desconfiança de parte da população em relação às autoridades e aos serviços de saúde. Por isso, além da identificação e tratamento dos pacientes, as equipes internacionais têm buscado ampliar a comunicação com as comunidades locais.
Como ainda não existem vacinas licenciadas ou terapias específicas contra a variante Bundibugyo, os profissionais dependem principalmente de diagnóstico precoce, cuidados de suporte, medidas de prevenção de infecções e envolvimento das comunidades.
Ensaios com vacinas estão sendo realizados no Reino Unido e no Canadá na tentativa de desenvolver ferramentas capazes de ajudar no enfrentamento da doença.
Países vizinhos entram em alerta
O risco de expansão para além das fronteiras da RDC também mobiliza a comunidade internacional. Países como Sudão do Sul e República Centro-Africana estão entre os que recebem atenção especial diante da possibilidade de novos casos.
No início de junho, a OMS e os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças lançaram um plano conjunto para reforçar a preparação e a resposta ao Ebola no continente. A estratégia envolve vigilância epidemiológica, exames laboratoriais, prevenção e controle de infecções, atendimento clínico, logística, pesquisas e comunicação com as comunidades.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) também destinou US$ 54,5 milhões para acelerar as ações na RDC, preparar os países vizinhos para uma possível disseminação e fortalecer a confiança da população nas medidas de saúde pública.











