A indústria automobilística avançou de forma impressionante em cinco décadas. Enquanto a Denza, divisão premium da BYD, acaba de apresentar o Z9S, sedã elétrico capaz de alcançar até 1.100 quilômetros de autonomia no ciclo chinês CLTC, o Brasil já havia desenvolvido, ainda nos anos 1970, um automóvel movido exclusivamente a eletricidade. O Gurgel Itaipu E150, porém, enfrentava as limitações tecnológicas da época e tinha autonomia muito mais modesta.
Muito antes de a autonomia superior a mil quilômetros se tornar uma possibilidade tecnológica, uma fabricante brasileira decidiu apostar em uma solução que parecia futurista.
Em 1974, a Gurgel apresentou no Salão do Automóvel de São Paulo o Itaipu E150, um pequeno veículo urbano movido exclusivamente por eletricidade. O projeto surgiu em meio às consequências do primeiro choque internacional do petróleo, provocado pelo contexto do boicote dos países produtores.
O nome fazia referência à Usina Hidrelétrica de Itaipu, que estava em construção na época e representava um dos grandes projetos de geração de energia do país.
O automóvel tinha capacidade para apenas dois ocupantes, desenho bastante geométrico e pesava cerca de 460 quilos. Desse total, aproximadamente 320 quilos correspondiam às baterias, com capacidade de 3,2 kW e potência equivalente a cerca de 4,2 cv.
A autonomia chegava a aproximadamente 80 quilômetros, enquanto os primeiros exemplares alcançavam somente 30 km/h de velocidade máxima. Nas versões posteriores, esse limite chegou a 60 km/h.
A expectativa da Gurgel era iniciar a produção em série a partir de dezembro de 1975, na fábrica de Rio Claro, no interior paulista. O projeto, contudo, encontrou obstáculos que continuam sendo relevantes no mercado de elétricos: baterias pesadas, baixa autonomia e longos períodos necessários para recarga.
Outro elétrico da Gurgel também tinha 80 km de autonomia
A fabricante brasileira não abandonou imediatamente a ideia. Em 1981, surgiu o Itaipu E 400, que também apresentava autonomia de aproximadamente 80 quilômetros.
O modelo chegou a ser utilizado por empresas estatais dos setores de eletricidade e telefonia, mostrando que os veículos elétricos poderiam encontrar aplicações específicas mesmo diante das limitações tecnológicas.
Os projetos acabaram descontinuados justamente por causa dos custos e das limitações das baterias. Naquele período, armazenar energia suficiente para garantir boa autonomia exigia equipamentos pesados, caros e demorados para recarregar.
BYD aposta em tecnologia na autonomia
Apresentado oficialmente, o Denza Z9S é descrito pela fabricante como um sedã de luxo tecnologicamente avançado. O modelo utiliza uma nova geração da bateria Blade, desenvolvida pela BYD, e promete recuperar uma quantidade significativa de carga em poucos minutos.
A autonomia anunciada de até 1.100 km no ciclo CLTC ainda não significa necessariamente a mesma distância em condições reais de utilização, já que o padrão chinês de medição pode apresentar resultados diferentes de outros ciclos de homologação.
O veículo chega com carroceria fastback e uma identidade visual própria. O sedã tem 5,09 metros de comprimento, 1,98 metro de largura e 1,49 metro de altura, com entre-eixos de 3,025 metros. Em comparação com o Z9 GT, o Z9S é ligeiramente menor.


A dianteira recebeu novos faróis com formato de estrela e uma grade fechada, característica comum em veículos elétricos. A cabine também incorpora uma nova geração do sistema de inteligência artificial da BYD, chamado de Intelligent Cockpit, desenvolvido para interpretar comandos dos ocupantes.
Imagens divulgadas da China mostram ainda um volante de três raios, uma grande tela central flutuante, painel de instrumentos estreito e botões físicos posicionados abaixo do console central.
O Z9S ainda não tem lançamento confirmado no Brasil. A Denza, entretanto, iniciou a operação no mercado brasileiro neste ano e vem ampliando sua estratégia no segmento de veículos premium.











