Uma manhã comum de junho de 2024 se transformou em uma situação que Shawna Flener, então com 38 anos, dificilmente esquecerá. Ao consultar sua conta na Fidelity Investments, nos Estados Unidos, ela descobriu que havia recebido US$ 8.786.167,73, quantia equivalente a mais de R$ 45 milhões. O dinheiro, porém, não pertencia a ela.
O valor havia chegado à conta por causa de um erro cometido durante a realização de uma transferência bancária. Segundo a própria Flener, alguém teria informado o número incorreto da conta ao iniciar a operação, fazendo com que os milhões fossem parar no lugar errado.
Em vez de tentar movimentar o dinheiro, a mulher decidiu entrar em contato imediatamente com a instituição financeira. A quantia permaneceu em sua conta por aproximadamente sete horas, até ser retirada pela Fidelity.

“Eu simplesmente fiquei em choque”
Flener contou que estava no escritório quando percebeu o saldo extraordinário. O primeiro impulso foi conferir novamente o aplicativo e tentar entender o que havia acontecido.
Ela afirma que ficou alguns minutos em choque antes de sair para telefonar à instituição. O funcionário que recebeu a ligação, segundo seu relato, também teria ficado surpreso e afirmou nunca ter visto uma situação semelhante.

Enquanto a Fidelity investigava a origem da transferência, Flener acompanhou durante boa parte do dia o valor que aparecia em sua conta.
Ela nunca descobriu quem havia enviado o dinheiro. Alguns dias depois, entretanto, recebeu uma comunicação da equipe de atendimento da instituição explicando que o número da conta havia sido digitado incorretamente no momento em que a transferência foi iniciada.
De acordo com a explicação recebida pela cliente, o erro não teria ocorrido dentro do sistema da própria Fidelity.
O que fazer ao receber dinheiro por engano?
Situações semelhantes podem acontecer no Brasil, especialmente com a popularização do Pix. Dados de uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box apontam que 85,5% dos brasileiros utilizam o Pix com frequência, enquanto 54,4% afirmam usar o sistema em transações do dia a dia.
Com milhões de operações realizadas diariamente, erros de transferência podem ocorrer por diferentes motivos. Entre os mais comuns estão a digitação incorreta da chave Pix, a realização da operação com pressa e sem conferir os dados na tela de confirmação e a escolha equivocada de um contato na lista do aplicativo.
Ao perceber que recebeu uma quantia que não reconhece, a primeira medida é conferir o extrato e identificar, quando possível, a origem do crédito. O dinheiro não deve ser utilizado ou transferido para terceiros.
Algumas instituições oferecem uma função específica de “Devolver”, que permite devolver a quantia diretamente à conta de origem. Esse procedimento é preferível a realizar uma nova transferência manualmente, já que reduz o risco de enviar o dinheiro para uma conta diferente.
Pix enviado errado pode ser recuperado
Nos casos que envolvem fraude, o procedimento é diferente. O usuário deve procurar imediatamente sua instituição financeira e solicitar as providências cabíveis, inclusive por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central.
O mecanismo permite que a instituição financeira da vítima comunique o banco que recebeu os recursos para que os valores possam ser bloqueados enquanto o caso é analisado.
Se forem identificados indícios de fraude, o dinheiro pode permanecer bloqueado e, depois da análise, ser devolvido total ou parcialmente, dependendo da existência de saldo disponível na conta que recebeu os recursos.
A situação de quem recebe dinheiro por engano também exige atenção. No Brasil, o artigo 169 do Código Penal prevê a apropriação de coisa alheia que chegou ao poder de alguém por erro, caso a pessoa decida ficar com o valor.











