William Bonner encerrou em 2025 sua trajetória de 29 anos no comando do Jornal Nacional, em um episódio que marcou a história recente da televisão brasileira. Antes de se tornar o principal âncora da emissora, porém, ele construiu uma carreira com um início inusitado na TV Bandeirantes, nos anos 1980, que envolveu uma peculiaridade burocrática: a falta do diploma de jornalismo.
Bonner ingressou no universo da comunicação como locutor da Rádio Universidade de São Paulo FM. Em 1982, optou pelo curso de publicidade e propaganda, deixando de lado o jornalismo. Tempos depois, um convite de uma colega o levou a um teste na Band para fazer locuções em off. Aprovado, estreou sem aparecer na tela no programa 8 e Meia, que ele mesmo descreve como um dos de pior audiência na história da TV brasileira, por competir com a novela Roque Santeiro, sucesso da Globo.
Carreira na apresentação
Em abril de 1985, o diretor José Emílio Ambrósio o convocou para gravar pilotos de um telejornal local. Com a orientação de tirar a barba e usar lentes de contato, Bonner foi aprovado e começou a apresentar a atração.
No entanto, a formalização do registro profissional travou o processo. A direção da emissora percebeu que ele não possuía formação em jornalismo nem curso de radialista, requisito indispensável na época.
A solução encontrada pela então diretora de jornalismo, Silvia Jaffet, foi remanejar Bonner para o Jornal de Amanhã, uma atração exibida em rede nacional, e não mais restrita ao circuito local. Ou seja, a falta do diploma, que parecia um obstáculo, acabou por promover o apresentador a uma posição de maior visibilidade poucos meses após sua estreia, ocorrida em 1986.
Já no final de maio daquele mesmo ano, Bonner recebeu o convite para integrar a equipe da Globo, dando início à trajetória que o levaria, anos depois, à bancada do telejornal mais assistido do país. Atualmente, Bonner integra a equipe de apresentadores do Globo Repórter, na TV Globo.











