O governo federal anunciou a aquisição de um novo supercomputador de inteligência artificial (IA) que será instalado no Rio Grande do Norte e deverá colocar o Brasil entre os países com maior capacidade de processamento para essa tecnologia. O equipamento terá investimento de pouco mais de R$ 1 bilhão e será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na região metropolitana de Natal.
A máquina deverá alcançar 7.200 petaflops, o equivalente a aproximadamente 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo. O governo afirma que a capacidade colocará o equipamento entre os dez supercomputadores de inteligência artificial mais potentes do mundo.
O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma cerimônia sobre os investimentos brasileiros em inteligência artificial. A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e será financiada com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Capacidade será muito superior à do atual supercomputador brasileiro
A dimensão do novo equipamento pode ser percebida pela comparação com o Santos Dumont, atualmente considerado o supercomputador mais potente em operação no Brasil. Instalado no Rio de Janeiro, o equipamento trabalha com capacidade de aproximadamente 27 petaflops.
A nova máquina, portanto, terá uma capacidade computacional projetada centenas de vezes superior. O termo petaflop representa uma unidade utilizada para medir o desempenho de supercomputadores: um petaflop corresponde a 1 quatrilhão de operações de ponto flutuante por segundo.
A infraestrutura será executada pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e terá utilização compartilhada. Empresas, universidades, instituições científicas e órgãos governamentais poderão recorrer ao equipamento para treinamento de modelos de inteligência artificial, pesquisas e desenvolvimento de novas aplicações.
A expectativa do governo é que o supercomputador esteja funcionando até o fim de 2027.
Governo quer reduzir dependência de processamento no exterior
A instalação do equipamento no Nordeste está relacionada também a uma estratégia de ampliar a soberania tecnológica brasileira. Segundo a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, cerca de 60% do processamento relacionado à inteligência artificial brasileira atualmente é realizado no exterior.
A proposta é transferir parte dessa capacidade para uma infraestrutura instalada no próprio país, permitindo que pesquisadores e empresas tenham acesso a maior poder computacional sem depender exclusivamente de estruturas estrangeiras.
O edital de compra deverá estabelecer contrapartidas para as empresas vencedoras, incluindo transferência de tecnologia, capacitação profissional, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros.
Também está prevista a capacitação de aproximadamente 5 mil brasileiros ao longo de cinco anos, ampliando a formação de profissionais especializados em tecnologias de inteligência artificial.
Durante o anúncio, Lula afirmou que o investimento pretende ampliar as oportunidades para pesquisadores, estudantes e profissionais brasileiros.
Rio Grande do Norte foi escolhido por energia renovável
A escolha de Macaíba, no Rio Grande do Norte, não ocorreu apenas por critérios tecnológicos. O governo também considerou a necessidade de descentralizar investimentos de alta tecnologia e reduzir desigualdades regionais.
Outro fator apontado foi a disponibilidade de energia renovável. O Rio Grande do Norte é um dos principais polos brasileiros de geração de energia eólica, característica considerada estratégica para uma infraestrutura de computação que demanda grande quantidade de eletricidade.
A instalação do supercomputador, dessa forma, combina a expansão da capacidade brasileira de processamento com a utilização de uma matriz energética com forte participação de fontes renováveis.
Chips de arquitetura aberta também entram no projeto
Além dos supercomputadores, o governo pretende reduzir a dependência brasileira de tecnologias proprietárias no setor de semicondutores.
Uma das iniciativas prevê o desenvolvimento de chips baseados na arquitetura aberta RISC-V. O projeto envolve uma cooperação internacional que reúne aproximadamente 70 países e tem horizonte estimado entre 10 e 15 anos para seu desenvolvimento.
A estratégia busca ampliar a capacidade nacional de pesquisa e produção tecnológica, criando alternativas para áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial e computação de alto desempenho.











