Os Correios abriram uma nova rodada de demissão voluntária para tentar reduzir despesas e reorganizar a estrutura operacional. O programa foi lançado nesta quinta-feira (20) e permite que empregados interessados façam a adesão até 30 de setembro. A iniciativa ocorre poucos meses depois de uma primeira tentativa que resultou na saída de aproximadamente 3 mil trabalhadores.
A estatal estabeleceu como objetivo alcançar até 7 mil adesões nesta nova etapa. Somados aos desligamentos previstos anteriormente, os Correios trabalham com uma meta de reduzir a força de trabalho em até 15 mil funcionários entre 2026 e 2027.
O PDV-E (Plano de Desligamento Voluntário Específico) prevê incentivos para os empregados que optarem pelo desligamento, além de condições relacionadas à aposentadoria. A adesão é voluntária e depende do atendimento aos critérios estabelecidos pela empresa.

Programa mira unidades que passarão por mudanças
A nova rodada integra o plano de reestruturação dos Correios e concentra-se principalmente em trabalhadores vinculados a unidades que estão previstas para serem extintas ou reorganizadas, incluindo agências e centros de armazenamento.
A estratégia ocorre em um momento de forte pressão financeira sobre a estatal. No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões, quase o dobro dos R$ 1,725 bilhão negativos registrados no mesmo período do ano anterior.
Apesar do resultado, a empresa apresentou lucro bruto de R$ 153,4 milhões no trimestre, revertendo o prejuízo bruto observado no início de 2025. O desempenho, porém, não foi suficiente para compensar os impactos de despesas administrativas e financeiras.
Entre os fatores apontados pela companhia estão a queda persistente das receitas provenientes dos serviços postais tradicionais e o aumento da concorrência nos segmentos de logística, especialmente no comércio eletrônico.
Governo avalia aporte de pelo menos R$ 6 bilhões
Além da redução do quadro de funcionários, o governo federal discute uma alternativa para reforçar o caixa dos Correios. A equipe econômica avalia antecipar para 2026 parte da capitalização prevista para a estatal.
O aporte considerado é de pelo menos R$ 6 bilhões. O recurso está previsto em contrato firmado pelos Correios com um grupo de bancos no fim de 2025, durante a negociação que possibilitou um empréstimo de R$ 12 bilhões à empresa.
Pelo cronograma original, a capitalização poderia ocorrer até o fim de 2027. Até agora, entretanto, nenhum valor foi repassado pela União.
A possibilidade de antecipação ainda depende de avaliação sobre o espaço disponível no Orçamento deste ano e deverá ser submetida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) ao Congresso.
Como a capitalização de empresas estatais é classificada como despesa discricionária, a operação precisa respeitar os limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal.
Primeiro programa ficou abaixo da expectativa
A necessidade de uma nova rodada de desligamentos está relacionada também ao resultado da primeira iniciativa realizada em 2026. Cerca de 3 mil empregados aderiram ao programa, número considerado insuficiente diante da necessidade de redução de custos da estatal.
Por isso, os Correios estabeleceram uma nova meta, agora de até 7 mil adesões. A empresa pretende utilizar o processo para adequar sua estrutura ao cenário financeiro e às mudanças previstas em sua operação.
A meta inicial de reestruturação trabalhada pela estatal previa 10 mil desligamentos em 2026 e outros 5 mil em 2027. O novo PDV representa uma das principais medidas para tentar alcançar esse objetivo.











