O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro está entrando em uma nova fase. O Pix por Biometria começa a ganhar espaço no comércio eletrônico ao permitir que consumidores concluam determinadas compras sem precisar abrir novamente o aplicativo do banco, copiar códigos ou escanear QR Codes. A tecnologia combina recursos do Pix, Open Finance e autenticação biométrica e já desperta o interesse de empresas como Visa, Mastercard, Bemobi e Iniciador.
A modalidade ainda está em estágio inicial de expansão, mas pretende simplificar principalmente os pagamentos realizados em lojas virtuais. Depois do primeiro cadastro, o usuário pode autenticar a operação utilizando impressão digital, reconhecimento facial ou PIN, diretamente na interface da loja.
O chamado Pix Biométrico, também conhecido no mercado como “Pix 2.0”, continua sendo uma funcionalidade vinculada ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. A principal diferença está na maneira como o consumidor autoriza a transação.
No primeiro uso, o cliente seleciona a opção de Pix Biométrico durante a compra e é direcionado ao aplicativo do banco escolhido para realizar o cadastramento. Nesse processo, a instituição financeira configura a forma de autenticação que será utilizada posteriormente, como reconhecimento facial, impressão digital ou senha.
Depois dessa etapa inicial, os pagamentos podem ser autorizados sem a necessidade de alternar entre aplicativos. Em compras futuras que ofereçam a tecnologia, a autenticação ocorre diretamente no site ou aplicativo da empresa, tornando o processo semelhante ao desbloqueio de um celular.
A proposta é eliminar etapas que atualmente fazem o consumidor sair da página de compra, acessar o banco, localizar a área do Pix e retornar ao comércio eletrônico.

Menos etapas podem reduzir abandono de compras
A mudança também atende a uma preocupação crescente do comércio eletrônico: a desistência de compras durante o processo de pagamento.
Segundo a pesquisa “Disruptive Payments”, da OneKey Payments, 63% dos consumidores latino-americanos entrevistados afirmaram já ter abandonado uma compra porque precisaram fornecer uma quantidade considerada excessiva de dados pessoais. Outros 68% disseram ter desistido quando foram direcionados para uma segunda tela para validar o pagamento.
No Brasil, onde a taxa média de abandono de carrinhos supera 80%, a redução dessas etapas pode ter impacto direto na experiência de compra e na conversão das lojas virtuais.
A proposta do Pix por Biometria é justamente tornar a autorização mais integrada. Em vez de interromper a jornada para acessar outra aplicação, o consumidor permanece na interface da própria loja e utiliza um mecanismo de autenticação que já está familiarizado a partir do uso cotidiano do smartphone.
Pix registra crescimento expressivo em 2026
A expansão dessa tecnologia ocorre em um momento de forte crescimento do próprio Pix no país.
Dados atribuídos ao Banco Central indicam que o sistema registrou 36,3 bilhões de transações entre janeiro e maio de 2026, com uma média próxima de 3 mil operações por segundo no período. O volume financeiro movimentado chegou a aproximadamente R$ 16 trilhões, alta superior a 26% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
A utilização também apresenta diferenças entre as regiões brasileiras. O Sudeste concentra 42,79% dos usuários, enquanto o Nordeste reúne 26,30%.
Na divisão por idade, a faixa entre 30 e 39 anos concentra a maior parcela dos usuários do sistema. O Banco Central, entretanto, aponta uma distribuição significativa entre diferentes faixas etárias.











