A China está prestes a dar um novo passo na corrida espacial com uma das missões lunares robóticas mais ambiciosas já planejadas. A Chang’e-7 deve ser lançada em 24 de agosto, pelo horário de Pequim, com a missão de investigar o polo sul da Lua e procurar um recurso considerado estratégico para futuras bases: água congelada.
A missão será lançada a bordo de um foguete Long March 5 Y14, a partir da base espacial de Wenchang, na província chinesa de Hainan. O equipamento foi transportado para a área de lançamento em 19 de agosto e reúne uma estrutura complexa, formada por orbitador, módulo de pouso, rover e um veículo capaz de realizar pequenos saltos sobre a superfície lunar, além de experimentos internacionais.
O objetivo vai muito além de estudar a Lua. A China pretende identificar e avaliar depósitos de gelo que possam ser utilizados em futuras operações no satélite natural da Terra. A água, caso seja encontrada em quantidade e condições adequadas, pode ser transformada em água potável, oxigênio para respiração e hidrogênio e oxigênio para produção de combustível, reduzindo a necessidade de transportar esses recursos a partir da Terra.

Missão vai procurar gelo em crateras permanentemente sombreadas
O principal alvo da Chang’e-7 é uma região próxima à cratera Shackleton, no polo sul lunar. O local é considerado especialmente importante porque possui áreas que praticamente não recebem luz solar e podem preservar depósitos de gelo de água.
O local exato do pouso ainda não foi divulgado publicamente, mas estudos de cientistas chineses indicam que a missão deverá explorar a borda da cratera e áreas próximas.
Depois de chegar à Lua, o orbitador deverá passar alguns meses estudando o satélite antes de liberar o módulo de pouso. A previsão é que a tentativa de aterrissagem aconteça no fim do ano.
Um dos equipamentos mais curiosos da missão será o chamado hopper, projetado para saltar entre regiões iluminadas e crateras permanentemente escuras. O veículo utilizará tecnologia de absorção ativa de impactos para conseguir pousar em terrenos inclinados e alcançar áreas que seriam difíceis para um rover convencional.
A China também utilizará pela primeira vez um sistema de navegação baseado em imagens para auxiliar o pouso e a movimentação do equipamento em regiões profundas e acidentadas.
Segundo o cientista Ye Peijian, da Academia Chinesa de Ciências, embora pesquisadores de diversos países tenham evidências da existência de gelo na Lua, o recurso ainda não foi definitivamente encontrado e avaliado em sua totalidade. A Chang’e-7 pretende justamente avançar nessa investigação utilizando diferentes métodos, desde a análise da superfície até a exploração do interior das crateras.
Água pode ser fundamental para uma futura base lunar
A busca pelo gelo lunar tem importância estratégica porque transportar grandes quantidades de água, oxigênio e combustível da Terra para a Lua seria extremamente caro e complexo.
Caso os depósitos sejam confirmados e apresentem condições de exploração, a água poderia ser utilizada diretamente por astronautas ou separada em seus componentes químicos. O oxigênio poderia sustentar a respiração e o hidrogênio, combinado novamente com oxigênio, poderia servir como propelente.
Por isso, a identificação de recursos locais é considerada uma das etapas fundamentais para tornar possível uma permanência prolongada de seres humanos na Lua.
A Chang’e-7 também terá uma função científica mais ampla. A missão vai combinar observação orbital, pouso, deslocamento por rover e saltos sobre a superfície, permitindo analisar o ambiente e os recursos do polo sul lunar.
China mira astronautas na Lua até 2030
A missão faz parte de um programa de longo prazo que pretende levar astronautas chineses à superfície lunar até 2030. A estratégia inclui uma sequência de missões robóticas destinadas a preparar tecnologias e estudar as condições necessárias para uma futura presença humana.
A próxima etapa deverá ser a Chang’e-8, prevista para aproximadamente 2028. A missão terá entre seus objetivos testar tecnologias relacionadas à construção de estruturas utilizando o próprio solo lunar como matéria-prima.
Chang’e-7 e Chang’e-8, juntas, devem ajudar a preparar o caminho para a International Lunar Research Station (ILRS), iniciativa de longo prazo que prevê uma estação de pesquisa lunar com participação internacional.











