Aos 61 anos, em 2025, William Bonner deixou a bancada do Jornal Nacional após quase três décadas. O anúncio oficial de sua saída, que ocorreu em outubro, provocou uma reação que ele mesmo descreve como inesperada.
Em tom bem-humorado, o jornalista afirmou em entrevista coletiva que a repercussão lhe trouxe uma sensação similar à de uma despedida póstuma, tamanha a quantidade de homenagens e manifestações de afeto que recebeu de colegas, imprensa e público.
Bonner observou que, ao longo de sua carreira, nem sempre foi tratado com tanta generosidade, e comparou o fenômeno ao que costuma ocorrer quando personalidades famosas morrem e seus perfis são revisitados com mais complacência.
Ele contou que fez a brincadeira com a família, dizendo que parecia ter morrido, ao notar que pessoas antes críticas passaram a se mostrar extremamente gentis. O jornalista afirmou que agradece esse reconhecimento, pois viu ali um respeito que, em muitos anos, não se manifestava de forma tão explícita.
Trato cotidiano com o público
Outra mudança percebida por ele foi no trato cotidiano com o público. Segundo Bonner, as abordagens nas ruas voltaram a um padrão anterior a 2013, marcado por demonstrações de carinho, pedidos de foto e abraços, em contraste com as críticas mais duras que enfrentou em períodos anteriores.
Desde sua saída oficial, no dia 31 de outubro de 2025, ele notou um ritual nos encontros com fãs, especialmente em aeroportos: primeiro o lamento pela saída, depois o apoio à decisão e, em seguida, elogios ao sucessor César Tralli.
Bonner também relatou que, com o passar das semanas, uma nova frase passou a se repetir: “O país deve um obrigado a você”. Ele ouviu isso de algumas pessoas, como um ex-presidente de estatal, durante uma viagem a Lisboa. O jornalista fez questão de ressaltar que esse agradecimento não é pessoal, mas representa uma categoria inteira, lembrando que ninguém faz jornalismo sozinho.











