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NASA pede que a humanidade se prepare para o que o El Niño vai causar em 2026

Por Pedro Silvini
25/08/2026
Em Geral
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el nino fenomeno tempo

Foto: (Reprodução/Instagram/@hojepelomundo)

A intensificação do El Niño em 2026 já está provocando alterações perceptíveis no Oceano Pacífico, segundo observações realizadas por satélites da NASA. Imagens registradas pelo instrumento de Cor do Oceano (OCI), instalado no satélite PACE, mostram uma redução significativa na concentração de clorofila em determinadas áreas do Pacífico equatorial, sinal utilizado pelos cientistas para acompanhar a presença de fitoplâncton.

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A comparação realizada pela agência espacial norte-americana considera imagens de junho de 2025, quando as condições do Pacífico ainda eram consideradas neutras, e registros de junho de 2026. Além da mudança na concentração de fitoplâncton, os satélites identificaram temperaturas da superfície do mar acima da média e elevação do nível do oceano em partes da região equatorial.

A redução do fitoplâncton preocupa os pesquisadores porque esses organismos microscópicos ocupam uma posição fundamental nos ecossistemas oceânicos. Eles formam a base da cadeia alimentar marinha e sustentam organismos que, por sua vez, servem de alimento para peixes, aves e mamíferos.

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Durante o El Niño, os ventos alísios que normalmente sopram de leste para oeste ao longo do equador enfraquecem. Com isso, a camada de água quente da superfície se aprofunda e dificulta a subida das águas frias e ricas em nutrientes das regiões mais profundas.

O efeito pode avançar pela cadeia alimentar. Com menos fitoplâncton, o zooplâncton encontra menos alimento, o que pode afetar populações de peixes comercialmente importantes e, posteriormente, aves marinhas e mamíferos que dependem desses animais.

El Niño deve ganhar força ao longo de 2026

As observações da NASA acompanham previsões que apontam para um fortalecimento do fenômeno durante os próximos meses. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima que o El Niño continue se intensificando até o fim de 2026 e aponta 97% de probabilidade de persistência até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

Em agosto, a NOAA indicou que o fenômeno já estava presente e em processo de fortalecimento. A agência também estimou mais de 90% de possibilidade de ocorrência de um episódio muito forte durante o outono e o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.

Outro dado chama atenção: a NOAA atribuiu 69% de probabilidade de que o período entre outubro e dezembro registre um El Niño considerado histórico, com intensidade superior à dos episódios anteriores observados desde 1950.

Antes disso, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) havia estimado, no início de junho, 80% de possibilidade de desenvolvimento do fenômeno entre junho e agosto. A chance de permanência pelo menos até novembro chegava a aproximadamente 90%.

Aquecimento do Pacífico tem reflexos no clima mundial

O El Niño é um fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico tropical central e oriental. Em condições normais, os ventos alísios transportam águas quentes para o oeste, em direção à Ásia e à Austrália, enquanto águas frias e ricas em nutrientes sobem das profundezas próximas à costa da América do Sul.

Durante um episódio de El Niño, esses ventos enfraquecem ou mudam de comportamento. A água quente acumulada no oeste do Pacífico se desloca em direção às Américas, modificando a distribuição de calor e umidade entre o oceano e a atmosfera.

Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode provocar mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

Os dados mais recentes da NOAA reforçam a dimensão do aquecimento. Em julho, as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial oriental ultrapassaram 2°C, enquanto, em determinadas profundidades, as anomalias chegaram a aproximadamente 10°C.

Também foram identificadas mudanças nos padrões de vento, com anomalias de ventos de oeste no Pacífico equatorial ocidental e central-oriental. Ao mesmo tempo, houve aumento das chuvas no Pacífico central e oriental e redução da precipitação sobre a Indonésia.

NASA acompanha sinais que podem antecipar impactos

As imagens obtidas pelo satélite PACE acrescentam uma dimensão ambiental às previsões meteorológicas. Ao observar a concentração de clorofila no oceano, os cientistas conseguem identificar alterações na distribuição do fitoplâncton e acompanhar uma das primeiras consequências ecológicas associadas ao aquecimento das águas.

Na região central do Pacífico, ao norte da Nova Zelândia, a concentração desses organismos caiu de forma significativa em comparação com as condições registradas um ano antes.

A combinação entre aquecimento do oceano, alterações nos ventos, mudanças nas chuvas e redução do fitoplâncton faz com que o El Niño de 2026 seja acompanhado de perto pelas instituições científicas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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