O prefeito de Como, na Itália, decidiu restringir a circulação de bicicletas em cerca de 30 ruas do centro histórico da cidade depois de ter sido atingido por uma bicicleta elétrica. A medida, que começa a valer em setembro, determina que os ciclistas desmontem e conduzam suas bicicletas a pé pelos trechos incluídos na nova regulamentação.
A decisão de Alessandro Rapinese alcança tanto bicicletas elétricas quanto modelos tradicionais. Segundo o prefeito, a regra busca aumentar a segurança em uma área histórica que recebe grande quantidade de turistas e concentra intenso movimento de pedestres.
A justificativa, porém, provocou controvérsia. Grupos de moradores, associações e representantes políticos passaram a questionar a medida, alegando que ela pode ter sido influenciada pela experiência pessoal do prefeito.

Prefeito admite que acidente influenciou decisão
Rapinese foi atingido por uma bicicleta elétrica enquanto deixava a sede da prefeitura, em um episódio ocorrido neste ano. O responsável pela colisão não foi identificado.
O incidente aconteceu pouco depois de uma reunião da administração municipal na qual haviam sido discutidas novas restrições ao trânsito no centro de Como. O prefeito reconheceu que a experiência teve influência sobre sua percepção do problema.
Em declaração à agência italiana Ansa, Rapinese afirmou que as pessoas costumam tomar decisões com base nas próprias experiências e disse saber o que significa ser atingido por uma bicicleta elétrica.
Apesar das críticas, o prefeito sustenta que a proibição não é uma retaliação individual, mas uma medida voltada à segurança pública. Ele também argumenta que a legislação italiana de trânsito não estabelece, para essa finalidade, uma distinção que permita aplicar a restrição somente às bicicletas elétricas.
Regra atinge também bicicletas convencionais
A nova norma faz parte de um pacote mais amplo de mudanças no trânsito de Como. A prefeitura pretende implementar uma Zona de Tráfego Limitado, conhecida como ZTL, para organizar a circulação diante do crescimento do fluxo turístico e estabelecer controles mais rígidos para carros e veículos comerciais no centro.
Com a nova regra, quem estiver de bicicleta nas aproximadamente 30 ruas abrangidas deverá descer do veículo e seguir caminhando. A determinação vale inclusive para bicicletas convencionais, que não possuem motor elétrico.
Parte das vias afetadas está entre as ruas mais largas do centro histórico e é utilizada por moradores, entregadores e comerciantes para acessar diferentes pontos da região. Por isso, críticos temem que a medida também provoque impactos nas atividades comerciais.
A cidade já havia adotado uma restrição semelhante em relação a outro tipo de veículo. Em 2022, Como proibiu o aluguel de patinetes elétricos no centro.
Moradores organizam protesto contra a proibição
A reação à decisão foi rápida. Uma petição foi criada para tentar impedir a entrada da medida em vigor, enquanto grupos locais passaram a questionar a necessidade de uma proibição ampla.
A associação Nova Como organizou uma manifestação sobre duas rodas para 12 de setembro. A proposta é que ciclistas percorram as áreas afetadas e terminem o protesto em frente à prefeitura.
A associação Civitas Como também contestou a legitimidade da resolução e classificou a medida como questionável e equivocada.
Entre as principais críticas está o argumento de que bicicletas representam uma alternativa de transporte de baixo custo e menor impacto ambiental. Para os opositores, o poder público deveria concentrar esforços em fiscalizar comportamentos perigosos e o uso irresponsável das bicicletas, em vez de restringir todos os ciclistas.











