As autoridades de saúde reforçaram o alerta para a circulação da febre do Nilo Ocidental, doença transmitida principalmente pela picada de mosquitos infectados. O cenário ganhou atenção no Brasil após São Paulo confirmar, nesta segunda-feira (24), os dois primeiros casos registrados na história do estado. Na mesma data, Santa Catarina confirmou a primeira morte relacionada à doença no território catarinense.
Em São Paulo, os casos foram identificados em uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que havia viajado recentemente para a região amazônica, e em uma adolescente de 18 anos de São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos. A origem das infecções ainda é investigada pelas equipes de saúde.
Em Santa Catarina, a vítima foi uma mulher de 77 anos, residente em Imbituba. O estado também acompanha o caso de um homem de 56 anos, de Caçador, que apresentou manifestações neurológicas e já recebeu alta hospitalar. Os dois casos catarinenses continuam sob investigação epidemiológica.
Doença pode atingir o sistema nervoso
A febre do Nilo Ocidental é causada pelo vírus do Nilo Ocidental (WNV) e tem como principal forma de transmissão a picada de mosquitos infectados. Os insetos adquirem o vírus ao se alimentar de aves contaminadas e podem posteriormente transmiti-lo a pessoas e outros animais.
Na maioria dos casos, a infecção não provoca sintomas. Quando eles aparecem, geralmente começam entre dois e seis dias depois da picada, embora esse intervalo possa ser maior, especialmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

Os quadros mais leves podem provocar febre, dor de cabeça, dores musculares e articulares, vômitos, diarreia e manchas na pele. Embora a recuperação geralmente seja completa, cansaço e fraqueza podem permanecer durante semanas ou até meses.
A preocupação maior está nos casos graves, nos quais o vírus atinge o sistema nervoso central. Entre os sinais estão febre alta, dor de cabeça, rigidez no pescoço, desorientação, redução do nível de consciência e fraqueza muscular. Esses quadros podem exigir hospitalização e, em situações mais graves, levar à morte. Algumas sequelas também podem permanecer mesmo após a recuperação.
Vírus avança na Europa em 2026
A circulação do vírus também vem sendo acompanhada de perto na Europa. Segundo dados atualizados até 21 de agosto, 99 áreas de 12 países europeus haviam sido afetadas durante a temporada de transmissão de 2026.
A Itália concentra o maior número de áreas afetadas, com 46, seguida por Grécia, com 17, e Romênia, com 14. Também foram identificadas áreas na França, Macedônia do Norte, Sérvia, Espanha, Albânia, Áustria, Alemanha, Kosovo e Países Baixos.
Ao todo, os 12 países registraram 625 casos humanos adquiridos localmente. A Itália lidera com 311 casos, seguida pela Grécia, com 157, e pela Espanha, com 63. Macedônia do Norte contabilizou 37 casos; Romênia, 28; França, 17; Sérvia, seis; Países Baixos, dois; e Albânia, Áustria, Alemanha e Kosovo, um caso cada.
O avanço internacional reforça a necessidade de vigilância, principalmente durante os períodos de maior atividade dos mosquitos.
Não existe vacina para humanos
Um dos principais pontos de atenção é que não há vacina licenciada para uso em seres humanos contra o vírus do Nilo Ocidental. Também não existe tratamento antiviral específico contra a doença.
O atendimento médico é baseado no controle dos sintomas e no suporte ao paciente. Por isso, as estratégias de prevenção têm papel central no combate à infecção.
As autoridades recomendam medidas individuais para reduzir o contato com mosquitos, além de ações de controle dos insetos em nível comunitário. A prevenção também envolve o monitoramento e a triagem de doadores de sangue e órgãos, já que, embora seja incomum, o vírus pode ser transmitido por essas vias.
Pessoas que tiveram a doença também devem ficar atentas à orientação relacionada à doação de sangue: pacientes infectados pelo WNV não devem doar sangue durante quatro meses após a doença.











