No meio do deserto australiano, onde o sol castiga com temperaturas que beiram os 50°C, uma cidade encontrou uma solução singular para escapar do calor. Em Coober Pedy, no sul da Austrália, cerca de 60% da população vive em moradias escavadas na rocha, conhecidas como dugouts, que mantêm a temperatura interna estável em torno de 23°C durante todo o ano.
A cidade nasceu da mineração de opalas, pedras preciosas que deram origem à economia local. O nome, adotado em 1920, vem de uma expressão aborígene que significa “homem branco em um buraco”. As antigas escavações feitas em busca das gemas foram adaptadas para moradia, transformando o subsolo em um refúgio contra o clima severo.
Coober Pedy hoje
Hoje, Coober Pedy abriga não apenas residências, mas também igrejas, hotéis, bares e até uma livraria subterrânea. A ventilação é garantida por tubos que levam ar da superfície, e o ar seco do deserto impede a formação de umidade, permitindo que os moradores ampliem seus espaços escavando novos cômodos conforme a necessidade.
O silêncio é uma das marcas registradas da vida subterrânea. Moradores relatam que, ao fechar a porta, o barulho externo desaparece, criando um ambiente escuro e silencioso, ideal para descansar. Além do conforto térmico, as construções subterrâneas reduzem significativamente os gastos com energia, já que a terra funciona como um isolante natural, mantendo a temperatura estável sem necessidade de ar-condicionado.
Especialistas explicam que o solo e as rochas atuam como uma massa térmica, absorvendo e liberando calor lentamente, o que garante um ambiente interno confortável. Essa eficiência energética é um dos atrativos do estilo de vida local.
Apesar do isolamento no deserto, Coober Pedy se tornou um destino turístico curioso. Visitantes podem conhecer os hotéis escavados na rocha, explorar minas de opala e até jogar golfe em um campo de terra batida, adaptado à paisagem árida.











