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Quer morar fora? Veja os países onde o salário compensa para os brasileiros

Por Pedro Silvini
28/08/2026
Em Geral
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salário

(Reprodução/Magnific)

Morar fora do Brasil continua sendo um objetivo para milhões de pessoas, mas transformar esse plano em realidade exige muito mais do que comprar uma passagem e escolher um destino. Custo de vida, salário, aluguel, facilidade de imigração e condições de trabalho estão entre os principais fatores que precisam entrar na conta antes da mudança.

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Para brasileiros que buscam uma alternativa com despesas mais acessíveis, alguns países da América do Sul aparecem entre os destinos mais atrativos. Paraguai, Argentina, Colômbia e Peru estão entre os locais com menor custo de vida, especialmente para quem consegue receber em uma moeda mais valorizada em relação à economia local.

Além dos preços mais baixos, esses países têm outra vantagem para brasileiros: a possibilidade de circulação e residência facilitada em razão das regras do Mercosul. Isso transforma parte da América do Sul em uma porta de entrada menos complexa para quem deseja experimentar uma vida no exterior.

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Passaporte
(Reprodução/Agência Brasil)

Quanto custa morar nos países mais acessíveis?

No Paraguai, por exemplo, o aluguel de um estúdio ou apartamento simples fora dos grandes centros pode começar em aproximadamente 1,46 milhão de guaranis, equivalente a cerca de R$ 1.250.

Na Argentina, os preços imobiliários são influenciados pela inflação elevada e pela utilização do dólar em diversos contratos. Em Buenos Aires, o aluguel de um imóvel simples para uma pessoa fica aproximadamente entre 415 mil e 525 mil pesos argentinos, ou cerca de R$ 1.500 a R$ 1.900.

A Colômbia também aparece entre as alternativas de menor custo da América Latina. Em regiões valorizadas, um apartamento de um quarto pode custar entre 1,2 milhão e 2,5 milhões de pesos colombianos, aproximadamente R$ 1.600 a R$ 3.400.

No Peru, um imóvel para uma pessoa em Lima apresenta custo médio estimado entre 1.200 e 2.000 soles, o equivalente a aproximadamente R$ 1.800 a R$ 2.900.

Esses valores, entretanto, representam apenas uma parte do orçamento. Alimentação, transporte, saúde, impostos, energia elétrica e outras despesas precisam ser considerados antes de comparar o poder de compra de cada destino.

Países ricos têm salários maiores, mas custo também pesa

Na outra ponta estão países nos quais os salários tendem a ser mais elevados, mas o custo de vida também aumenta significativamente.

Entre os destinos classificados na faixa de custo alto estão Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Bélgica, Áustria, Portugal, Austrália, Nova Zelândia, Finlândia e Suécia. A lista também inclui o Uruguai, considerado o país mais caro da América do Sul, e a Costa Rica, apontada como a mais cara da América Central.

O problema para o trabalhador estrangeiro é que uma remuneração maior não necessariamente significa maior poder de compra. Em muitos desses mercados, uma parcela considerável da renda acaba comprometida com aluguel e despesas básicas.

No Uruguai, o salário mínimo é de aproximadamente 25 mil pesos uruguaios, cerca de R$ 3.100. O salário médio anual, considerando dados ajustados pela Paridade do Poder de Compra (PPC), chega a aproximadamente US$ 32.300, enquanto a média mensal fica em torno de US$ 2.700.

Na Costa Rica, o salário mínimo varia conforme a ocupação. Para trabalhadores não qualificados, a média fica próxima de 358 mil colones, aproximadamente R$ 3.400. Em valores ajustados pela PPC, o salário médio anual é de cerca de US$ 26.400, ou US$ 2.200 por mês.

Número de brasileiros no exterior bate recorde

A procura por oportunidades fora do país também aparece nos dados oficiais. Segundo o Relatório Consular Anual (RCA) do Itamaraty, a comunidade brasileira residente no exterior chegou a 5,29 milhões de pessoas em 2025, crescimento de aproximadamente 110 mil moradores em comparação com 2024.

Os Estados Unidos concentram o maior contingente, com cerca de 2,1 milhões de brasileiros, seguidos por Portugal, com 628 mil, e Paraguai, com 270 mil.

A expansão da comunidade brasileira no exterior também aumentou a demanda pelos serviços consulares. Em 2025, os consulados registraram 95.141 atendimentos de assistência, contra 61.533 no ano anterior, um crescimento de 55%.

Entre as demandas estão situações de vulnerabilidade social, assistência jurídica e psicológica, pequenos auxílios e repatriações excepcionais. Também aparecem casos envolvendo violência doméstica e de gênero, subtração internacional de menores e tráfico de pessoas.

Mudança de país exige planejamento

O crescimento da comunidade brasileira no exterior, porém, ocorre em um cenário internacional mais complexo. O próprio Itamaraty destacou que 2025 foi marcado pelo fortalecimento de políticas anti-imigração em diferentes países e pelo aumento do retorno de brasileiros, tanto de maneira voluntária quanto compulsória.

Esse movimento criou novas demandas para o Brasil, principalmente relacionadas à reintegração social, cultural e profissional de quem retorna depois de viver no exterior.

Por isso, antes de escolher um destino, especialistas e órgãos públicos recomendam que o planejamento considere não apenas o salário oferecido. Custo do aluguel, documentação, mercado de trabalho, qualificação profissional, idioma, acesso a serviços e regras migratórias podem fazer uma diferença maior no orçamento do que a remuneração nominal.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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