Morar fora do Brasil continua sendo um objetivo para milhões de pessoas, mas transformar esse plano em realidade exige muito mais do que comprar uma passagem e escolher um destino. Custo de vida, salário, aluguel, facilidade de imigração e condições de trabalho estão entre os principais fatores que precisam entrar na conta antes da mudança.
Para brasileiros que buscam uma alternativa com despesas mais acessíveis, alguns países da América do Sul aparecem entre os destinos mais atrativos. Paraguai, Argentina, Colômbia e Peru estão entre os locais com menor custo de vida, especialmente para quem consegue receber em uma moeda mais valorizada em relação à economia local.
Além dos preços mais baixos, esses países têm outra vantagem para brasileiros: a possibilidade de circulação e residência facilitada em razão das regras do Mercosul. Isso transforma parte da América do Sul em uma porta de entrada menos complexa para quem deseja experimentar uma vida no exterior.

Quanto custa morar nos países mais acessíveis?
No Paraguai, por exemplo, o aluguel de um estúdio ou apartamento simples fora dos grandes centros pode começar em aproximadamente 1,46 milhão de guaranis, equivalente a cerca de R$ 1.250.
Na Argentina, os preços imobiliários são influenciados pela inflação elevada e pela utilização do dólar em diversos contratos. Em Buenos Aires, o aluguel de um imóvel simples para uma pessoa fica aproximadamente entre 415 mil e 525 mil pesos argentinos, ou cerca de R$ 1.500 a R$ 1.900.
A Colômbia também aparece entre as alternativas de menor custo da América Latina. Em regiões valorizadas, um apartamento de um quarto pode custar entre 1,2 milhão e 2,5 milhões de pesos colombianos, aproximadamente R$ 1.600 a R$ 3.400.
No Peru, um imóvel para uma pessoa em Lima apresenta custo médio estimado entre 1.200 e 2.000 soles, o equivalente a aproximadamente R$ 1.800 a R$ 2.900.
Esses valores, entretanto, representam apenas uma parte do orçamento. Alimentação, transporte, saúde, impostos, energia elétrica e outras despesas precisam ser considerados antes de comparar o poder de compra de cada destino.
Países ricos têm salários maiores, mas custo também pesa
Na outra ponta estão países nos quais os salários tendem a ser mais elevados, mas o custo de vida também aumenta significativamente.
Entre os destinos classificados na faixa de custo alto estão Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Bélgica, Áustria, Portugal, Austrália, Nova Zelândia, Finlândia e Suécia. A lista também inclui o Uruguai, considerado o país mais caro da América do Sul, e a Costa Rica, apontada como a mais cara da América Central.
O problema para o trabalhador estrangeiro é que uma remuneração maior não necessariamente significa maior poder de compra. Em muitos desses mercados, uma parcela considerável da renda acaba comprometida com aluguel e despesas básicas.
No Uruguai, o salário mínimo é de aproximadamente 25 mil pesos uruguaios, cerca de R$ 3.100. O salário médio anual, considerando dados ajustados pela Paridade do Poder de Compra (PPC), chega a aproximadamente US$ 32.300, enquanto a média mensal fica em torno de US$ 2.700.
Na Costa Rica, o salário mínimo varia conforme a ocupação. Para trabalhadores não qualificados, a média fica próxima de 358 mil colones, aproximadamente R$ 3.400. Em valores ajustados pela PPC, o salário médio anual é de cerca de US$ 26.400, ou US$ 2.200 por mês.
Número de brasileiros no exterior bate recorde
A procura por oportunidades fora do país também aparece nos dados oficiais. Segundo o Relatório Consular Anual (RCA) do Itamaraty, a comunidade brasileira residente no exterior chegou a 5,29 milhões de pessoas em 2025, crescimento de aproximadamente 110 mil moradores em comparação com 2024.
Os Estados Unidos concentram o maior contingente, com cerca de 2,1 milhões de brasileiros, seguidos por Portugal, com 628 mil, e Paraguai, com 270 mil.
A expansão da comunidade brasileira no exterior também aumentou a demanda pelos serviços consulares. Em 2025, os consulados registraram 95.141 atendimentos de assistência, contra 61.533 no ano anterior, um crescimento de 55%.
Entre as demandas estão situações de vulnerabilidade social, assistência jurídica e psicológica, pequenos auxílios e repatriações excepcionais. Também aparecem casos envolvendo violência doméstica e de gênero, subtração internacional de menores e tráfico de pessoas.
Mudança de país exige planejamento
O crescimento da comunidade brasileira no exterior, porém, ocorre em um cenário internacional mais complexo. O próprio Itamaraty destacou que 2025 foi marcado pelo fortalecimento de políticas anti-imigração em diferentes países e pelo aumento do retorno de brasileiros, tanto de maneira voluntária quanto compulsória.
Esse movimento criou novas demandas para o Brasil, principalmente relacionadas à reintegração social, cultural e profissional de quem retorna depois de viver no exterior.
Por isso, antes de escolher um destino, especialistas e órgãos públicos recomendam que o planejamento considere não apenas o salário oferecido. Custo do aluguel, documentação, mercado de trabalho, qualificação profissional, idioma, acesso a serviços e regras migratórias podem fazer uma diferença maior no orçamento do que a remuneração nominal.











