Tim Cook encerra nesta segunda-feira (31) uma das mais importantes passagens pelo comando da Apple. Depois de 15 anos como CEO, o executivo deixa a principal posição da companhia que ajudou a transformar em uma das empresas mais valiosas do planeta. A Apple alcançou uma avaliação de aproximadamente US$ 4 trilhões, equivalente a cerca de R$ 20 trilhões, durante trajetória à frente da empresa.
Apesar da saída do cargo de CEO, Cook não deixará a Apple. Ele passará a atuar como presidente executivo (executive chairman) e continuará envolvido em assuntos estratégicos, incluindo relações políticas com autoridades dos Estados Unidos e da China.
O sucessor será John Ternus, até então vice-presidente sênior de engenharia de hardware da companhia. A mudança representa o início de uma nova etapa para a Apple, com expectativa de maior atenção ao desenvolvimento de produtos e à área de hardware.

De Steve Jobs à liderança de uma gigante
Cook assumiu o comando da Apple em agosto de 2011, poucas semanas antes da morte de Steve Jobs, cofundador e principal figura histórica da empresa. A relação entre os dois, porém, havia começado muito antes.
Jobs conheceu Cook em 1998 e o convenceu a ingressar na Apple naquele mesmo ano. Inicialmente, ele ocupou o cargo de vice-presidente sênior responsável pelas operações mundiais, posição na qual ganhou destaque pela capacidade de organizar a cadeia de produção e logística da companhia.
Quando Jobs deixou definitivamente o cargo de CEO, Cook assumiu a liderança de uma empresa que já era extremamente relevante no mercado de tecnologia. Nos anos seguintes, porém, a Apple atingiu marcos históricos e ampliou significativamente seu valor de mercado.
A companhia se tornou a primeira empresa de capital aberto dos Estados Unidos a alcançar US$ 1 trilhão em valor de mercado. Desde então, continuou avançando até chegar à marca de aproximadamente US$ 4 trilhões.
John Ternus assume em uma nova era
A escolha de Ternus para substituir Cook também sinaliza uma possível mudança de prioridades dentro da Apple. O executivo comandava a engenharia de hardware e esteve diretamente envolvido no desenvolvimento de diversos produtos recentes.
Entre os lançamentos associados à sua gestão estão o iPhone Air, modelo ultrafino, o MacBook Neo, de preço mais acessível, e os novos AirPods com recursos voltados à saúde auditiva.

Ternus também liderou a equipe responsável pelo desenvolvimento de toda a linha de dispositivos da Apple. A experiência pode ganhar ainda mais importância diante da expansão da inteligência artificial, já que a tecnologia depende não apenas de softwares e serviços, mas também de chips e aparelhos capazes de executar novos recursos.
A própria Apple antecipou neste ano o lançamento de alguns computadores, como Mac mini e Mac Studio, em um movimento relacionado à crescente demanda por equipamentos preparados para aplicações de inteligência artificial.
Cook continuará nos bastidores
No último dia como CEO, Cook enviou uma mensagem aos funcionários para apresentar Ternus e reforçar que sua saída não representa um afastamento da Apple.
O executivo destacou a capacidade do sucessor de desenvolver produtos e afirmou que poucas pessoas compreendem como construir dispositivos capazes de transformar o mundo da mesma maneira que Ternus.
Cook também ressaltou a cultura interna da companhia e retomou uma ideia associada a Steve Jobs: a possibilidade de deixar uma marca no mundo por meio do trabalho desenvolvido pela Apple.
Embora tenha deixado em segundo plano temas como inteligência artificial, serviços, regulamentação e os desafios envolvendo a China, Cook continuará próximo dessas questões. Como presidente executivo, deverá manter participação em relações políticas estratégicas, inclusive com o governo do presidente Donald Trump e autoridades chinesas.










