Usar o celular dentro do carro, seja para responder mensagens, consultar redes sociais ou simplesmente passar o tempo durante um trajeto, pode transformar passageiros em alvos de criminosos em São Paulo. O alerta ganhou força entre taxistas e motoristas de aplicativo diante do avanço dos roubos e furtos de aparelhos na capital paulista.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que São Paulo concentrou 20% dos roubos e furtos de celulares registrados no Brasil em 2025, embora reúna 5,6% da população nacional. Ao todo, o país contabilizou mais de 830 mil aparelhos subtraídos, uma média de aproximadamente 95 ocorrências por hora.
A capital paulista registrou 1.390,5 celulares roubados ou furtados para cada 100 mil habitantes no ano passado. O índice é quase quatro vezes maior que a média brasileira, de 371,2 ocorrências por 100 mil habitantes.
No ranking nacional, São Paulo aparece na terceira posição, atrás apenas de São Luís, no Maranhão, com 1.517 casos por 100 mil habitantes, e Belém, no Pará, que registrou taxa de 1.487. Os números foram divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O cenário tem alterado até mesmo a rotina dos profissionais que trabalham transportando passageiros. Taxistas relatam prejuízos provocados por vidros quebrados, períodos sem poder trabalhar e danos financeiros e emocionais após ataques.
Por isso, alguns motoristas passaram a pedir de forma insistente que passageiros evitem utilizar o celular próximo às janelas durante o trajeto. A recomendação, que antes poderia parecer apenas uma precaução, tornou-se uma medida de segurança diante da atuação de criminosos especializados.
Gangues que praticam ataques contra veículos quebrando os vidros atuam em diferentes regiões da cidade. Também há casos de criminosos que agem individualmente. A situação faz com que taxistas e motoristas de aplicativo precisem, em algumas ocasiões, insistir para que os passageiros guardem os aparelhos, mesmo que isso gere desconforto durante a viagem.
O que fazer se o celular for roubado ou furtado
Apesar do risco, algumas medidas podem reduzir os prejuízos depois que o aparelho é levado. O primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência, que pode ser feito presencialmente ou pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo.
Também é importante informar o IMEI, número de identificação individual do aparelho. A sequência funciona como uma espécie de registro do celular e pode auxiliar a polícia caso o dispositivo seja recuperado posteriormente. Com o IMEI e os dados do boletim, as autoridades podem relacionar o aparelho ao proprietário.
Mesmo sem estar com o telefone, o usuário pode consultar informações do dispositivo por serviços de localização. Em aparelhos Android, isso pode ser feito pelo Encontre Meu Dispositivo; nos celulares da Apple, pelo serviço Buscar do iCloud.
A localização em tempo real também pode ser compartilhada com as autoridades quando estiver habilitada no aparelho. As ferramentas, porém, possuem configurações e políticas de privacidade próprias de cada fabricante.
Bancos e Celular Seguro também devem ser acionados
Outro procedimento importante é entrar em contato imediatamente com o banco. O proprietário deve informar o roubo ou furto e solicitar o bloqueio temporário de contas, cartões e outros recursos financeiros acessíveis pelo celular.
Também existe o Celular Seguro, ferramenta do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) criada para facilitar a comunicação de roubos e furtos. Após o registro do alerta, o sistema pode acionar medidas de proteção e permitir o bloqueio do aparelho, de aplicativos bancários e de outros acessos vinculados ao dispositivo.











