Uma moeda de US$ 1 estampada com o rosto do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a ser comercializada nesta quarta-feira (2) e rapidamente se tornou alvo de grande procura. Produzida pela Casa da Moeda dos EUA, a peça foi lançada como parte das celebrações dos 250 anos da independência americana e teve os primeiros lotes esgotados poucas horas depois do início das vendas.
A iniciativa, no entanto, chama atenção não apenas pelo caráter comemorativo. A presença da imagem de um presidente em exercício em uma moeda destinada à circulação contrasta com uma tradição histórica dos Estados Unidos e levanta questionamentos sobre a legislação federal que restringe a utilização de retratos de pessoas vivas no dinheiro oficial do país.
A tradição americana de não retratar pessoas vivas na moeda remonta aos primeiros anos da República. No fim do século XVIII, quando a Casa da Moeda começou a estruturar o sistema monetário nacional, houve a intenção de colocar a imagem de George Washington nas cédulas e moedas.

Washington recusou a proposta por considerar que a prática poderia aproximar os Estados Unidos de uma monarquia, na qual governantes eram tradicionalmente representados no dinheiro. Décadas mais tarde, em 1866, o Congresso aprovou uma regra proibindo que o “retrato ou semelhança” de pessoas vivas aparecesse na moeda americana.
A legislação federal atualmente estabelece que apenas a imagem de uma pessoa falecida pode aparecer na moeda e nos títulos emitidos pelos Estados Unidos. A norma surgiu depois de uma controvérsia envolvendo Spencer M. Clark, funcionário do Departamento do Tesouro que colocou o próprio rosto em uma nota de cinco centavos, provocando reação dos parlamentares.
Mesmo diante dessa tradição, a nova moeda de Trump foi produzida e é considerada dinheiro de circulação legal.
Peça tem aparência dourada, mas não é feita de ouro
Apesar da aparência dourada, a moeda não é fabricada em ouro. A composição utiliza zinco, manganês, níquel e cobre. A previsão é de que aproximadamente 9 milhões de unidades sejam produzidas.
O preço também está acima do valor estampado na peça. Um rolo com 25 moedas de US$ 1 custa US$ 61, enquanto uma embalagem com 100 unidades é comercializada por US$ 154,50.
Embora sejam vendidas com valor adicional pela Casa da Moeda, as peças não têm apenas função decorativa. Como possuem curso legal, podem ser utilizadas normalmente em compras, da mesma forma que uma cédula de US$ 1.
Comemoração dos 250 anos serviu de justificativa
O lançamento está ligado às comemorações do semiquincentenário dos Estados Unidos, que marca os 250 anos da Declaração de Independência.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a iniciativa em 15 de julho por meio das redes sociais. Segundo a justificativa apresentada pelo governo, a moeda foi criada para celebrar valores americanos e a ideia de uma nação comprometida com a preservação da liberdade.
A administração Trump também apontou como precedente uma moeda comemorativa lançada em 1926, durante as celebrações dos 150 anos do país. Na ocasião, a Casa da Moeda produziu uma peça com os retratos de George Washington e do então presidente Calvin Coolidge.
A diferença é que aquela moeda tinha caráter comemorativo e não havia sido concebida para circular como dinheiro corrente, enquanto a nova peça com Trump possui valor monetário e pode ser utilizada em transações.
Governo já levou imagem de Trump para outros espaços
A moeda faz parte de uma série de iniciativas do segundo mandato de Trump que associam diretamente o nome ou a imagem do presidente a espaços, documentos e produtos oficiais.
Desde o retorno à Casa Branca, a administração tomou medidas envolvendo locais e itens como o Kennedy Center, o US Institute of Peace, passes de parques nacionais e uma edição limitada de passaportes criada para marcar o aniversário de 250 anos dos Estados Unidos.
Também foi anunciado um chamado “gold card”, visto como uma modalidade especial de visto vinculada a um pagamento de US$ 1 milhão.











