A Globo prepara uma ampla mudança em sua estrutura de comando. A empresa deve confirmar nesta sexta-feira (4) a saída de três diretores, em uma reformulação considerada uma das mais significativas da cúpula da companhia na última década. Entre os principais motivos apontados está uma decisão tomada na negociação dos direitos da Copa do Mundo, que deixou mais de 50 partidas exclusivas para a CazéTV.
As mudanças atingem Manuel Belmar, diretor de finanças e estrutura; Manuel Falcão, responsável por marca e comunicação institucional; e Pedro Garcia, diretor de direitos esportivos. A avaliação sobre a estratégia adotada para o Mundial pesa especialmente sobre Belmar e Garcia.
Belmar estava na Globo desde 2003 e assumiu, em 2019, a diretoria de Finanças, Jurídico e Infraestrutura. Durante sua trajetória, chegou a ser considerado um possível sucessor na presidência do grupo, por sua proximidade com os herdeiros de Roberto Marinho.
A decisão relacionada à Copa do Mundo, entretanto, teria alterado sua posição dentro da empresa. No segundo semestre de 2025, após a realização do torneio, a Fifa teria procurado a Globo para oferecer a totalidade dos 104 jogos da competição, em uma negociação relacionada à relação histórica entre as duas organizações.
Belmar e Garcia optaram por não adquirir o pacote completo. A justificativa era de que a quantidade de partidas poderia provocar uma espécie de excesso de conteúdo esportivo para o público. A estratégia acabou sendo colocada em xeque diante da audiência conquistada pela CazéTV, que transmitiu mais de 50 partidas com exclusividade.
Críticas à marca também entram no pacote
A reformulação não se restringe ao setor esportivo. Manuel Falcão, responsável pela área de Marcas e Comunicação Institucional, também deve deixar o cargo em meio a avaliações internas consideradas negativas sobre o desempenho da marca Globo.
Estudos internos teriam apontado problemas relacionados à percepção da emissora. A mudança no ambiente político brasileiro também teria contribuído para ampliar a rejeição à marca entre determinados grupos de público, incluindo uma parcela de conservadores que passou a adotar uma postura mais crítica em relação à empresa.
Falcão mantém relação de amizade com Paulo Marinho, atual presidente da Globo. Sua saída, portanto, também é interpretada como um sinal de que o comando de Marinho permanece preservado, mas com menor margem de autonomia diante das decisões tomadas pelo conselho.
Carlos Henrique Schroder volta ao centro da disputa
Por trás da reformulação está também o retorno de um antigo nome de peso da companhia. Carlos Henrique Schroder, que comandou a Globo entre 2013 e 2019, voltou ao grupo no ano passado como integrante do Conselho de Administração.
Segundo informações atribuídas a fontes próximas à empresa, Schroder teria apresentado ao conselho avaliações bastante críticas sobre integrantes da equipe de Paulo Marinho. Nesse cenário, as mudanças na cúpula seriam resultado de uma decisão do conselho, formado pelos filhos de Roberto Marinho — Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto.
A reformulação pode não terminar com os três nomes inicialmente anunciados. Pedro Garcia é apontado entre os possíveis executivos atingidos, enquanto Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais, também aparece entre os nomes que podem deixar a estrutura.
Nos últimos anos, a companhia passou por uma série de mudanças entre seus principais executivos. Nomes como Boninho, Silvio de Abreu, Erick Bretas e Ricardo Waddington deixaram posições importantes na estrutura do grupo.
Na disputa interna por espaço, Amauri Soares e Manuel Belmar chegaram a sair fortalecidos em determinados momentos. A eventual saída de Belmar, contudo, mostra que o cenário voltou a mudar e que a permanência de antigos protagonistas não significa necessariamente vitória definitiva.
Globo amplia concentração de negócios
A reorganização acontece em um momento de transformação na própria estrutura empresarial do grupo. Atualmente, a companhia está dividida em quatro grandes operações.
A Globo concentra a televisão aberta, os canais pagos, o Globoplay, o g1, a GeTV e a operação da Eletromidia. O Sistema Globo de Rádio reúne marcas como CBN e Rádio Globo. Já a Editora Globo administra veículos como O Globo e Valor Econômico, além de revistas como Época Negócios e Vogue.
A quarta frente é a Globo Ventures, braço de investimentos que mantém participações em empresas como QuintoAndar, Stone, LivUp e Buser.











