O mercado de locação residencial brasileiro atravessa um período de forte valorização, e alguns bairros apresentam aumentos muito acima da inflação. Na Glória, no Rio de Janeiro, o preço médio do aluguel por metro quadrado disparou 91,2% em cinco anos, segundo dados do Secovi Rio. O valor passou de R$ 31,54, em julho de 2021, para R$ 60,31 em julho deste ano.
A alta ocorre em um cenário de redução da quantidade de imóveis disponíveis para locação na capital fluminense. Segundo o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais (Secovi Rio), a oferta de imóveis para aluguel residencial tradicional caiu 30,4% em três anos.
Na prática, a combinação entre maior procura e menor disponibilidade contribui para elevar os preços e dificulta a busca de moradia por quem precisa alugar um imóvel.
Conhecida pela localização estratégica entre o Centro e a Zona Sul do Rio e por abrigar uma das feiras mais tradicionais da cidade, a Glória passou por uma expressiva transformação no mercado imobiliário.
Nos últimos cinco anos, o preço médio do metro quadrado residencial para venda avançou 23,7%. Conforme o Secovi Rio, o valor passou de R$ 8.945 em julho de 2021 para R$ 11.062 em julho deste ano.
No mercado de locação, entretanto, a valorização foi ainda mais intensa. O metro quadrado saltou de R$ 31,54 para R$ 60,31 no mesmo intervalo, representando uma alta de 91,2%.
O movimento ajuda a ilustrar a pressão que vem sendo sentida por moradores e pessoas que procuram imóveis na capital fluminense.
Menos imóveis disponíveis pressionam os preços
A redução da oferta é apontada como um dos fatores que ajudam a explicar o encarecimento dos aluguéis no Rio de Janeiro.
A análise do Secovi Rio considera dados de mais de 30 bairros, selecionados por apresentarem quantidade suficiente de anúncios para a produção de estatísticas.
Em junho deste ano, foram contabilizadas 7.093 ofertas de imóveis residenciais para aluguel tradicional. Três anos antes, no mesmo mês, eram 10.193 imóveis disponíveis.
A diferença representa uma retração de 30,4% na oferta. Com menos opções disponíveis, os proprietários passam a ter maior poder de negociação em determinadas regiões, enquanto os inquilinos enfrentam uma disputa maior pelos imóveis.
Aluguéis sobem acima da inflação
A valorização não está restrita ao Rio de Janeiro. O Índice FipeZAP, elaborado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX, mostra que os aluguéis residenciais também seguem avançando em outras grandes cidades.
No primeiro semestre, o preço médio dos aluguéis residenciais acompanhados pelo indicador acumulou alta de 5,24%, superando a variação registrada por importantes índices de inflação utilizados como referência no país.
No mesmo período, o IPCA acumulou 3,36%, enquanto o IGP-M avançou 3,27%. Dessa forma, a valorização dos aluguéis ficou quase dois pontos percentuais acima dos dois indicadores.
Somente em junho, o preço dos imóveis residenciais para locação aumentou 0,81%. Embora tenha ocorrido uma pequena desaceleração em relação aos 0,85% registrados em maio, o resultado permaneceu acima do IPCA mensal, de 0,16%, e contrastou com a queda de 0,5% do IGP-M.
São Paulo tem o aluguel mais caro entre as capitais
A capital paulista continua liderando o ranking nacional de preço médio do metro quadrado para aluguel residencial.
Segundo o Índice FipeZAP, o valor médio chegou a R$ 65,18 por metro quadrado ao mês em São Paulo. Em julho, houve aumento de 0,31%.
Desde o início do ano, a valorização acumulada é de 3,97%, enquanto, considerando os 12 meses anteriores, chega a 5,53%.
O comportamento, entretanto, varia conforme o tamanho do imóvel. As unidades de dois dormitórios tiveram a maior valorização mensal entre as categorias analisadas, com alta de 1,22%. Na outra ponta, imóveis com quatro ou mais dormitórios registraram queda de 0,3% no período.











