Sintomas respiratórios fizeram parte da rotina de 92% dos brasileiros nos últimos 12 meses, segundo uma pesquisa inédita realizada pelo Datafolha em parceria com a farmacêutica GSK. O levantamento revela, porém, que a alta frequência desses sinais pode estar contribuindo para a sua normalização: 62% dos entrevistados acreditam que tosse ou falta de ar só precisam ser avaliadas por um médico quando começam a prejudicar atividades do cotidiano.
Os dados foram divulgados na última terça-feira (25) e chamam atenção para o comportamento da população diante de problemas respiratórios, especialmente aqueles que podem estar associados a doenças crônicas. A pesquisa aponta que uma parcela significativa dos brasileiros encara determinados sintomas como consequências naturais do envelhecimento ou do histórico de tabagismo, o que pode atrasar a busca por atendimento.
Entre os participantes, 92% concordaram que pessoas que fumaram durante muitos anos terão problemas respiratórios. Ao mesmo tempo, 57% consideram normal apresentar falta de ar conforme o avanço da idade.
A tosse frequente também aparece entre os sintomas relativizados. Outros 57% dos entrevistados afirmaram considerar esse sinal um efeito normal do tabagismo.
Embora fatores como idade e histórico de consumo de tabaco possam estar relacionados a alterações respiratórias, a pesquisa chama atenção para o risco de transformar sintomas persistentes em algo considerado inevitável. A percepção pode fazer com que sinais importantes sejam ignorados até que interfiram de maneira significativa na rotina.
Um dos problemas relacionados ao tabagismo é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), condição que afeta principalmente os pulmões e dificulta a respiração. O consumo de cigarros e outros produtos derivados do tabaco está entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença.
Pesquisa ouviu mais de 2 mil brasileiros
O levantamento foi dividido em dois módulos independentes. A primeira etapa teve caráter quantitativo e contou com 2.004 entrevistas representativas da população brasileira.
Já a segunda parte investigou especificamente a jornada de cuidados de pessoas com doenças respiratórias crônicas. Foram entrevistados 213 pacientes diagnosticados com asma, DPOC ou rinossinusite crônica com pólipos nasais.
Essa etapa foi realizada nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, buscando compreender como pacientes que convivem com essas condições percebem os sintomas e percorrem o caminho até o diagnóstico e o tratamento.
Doenças respiratórias avançam em 2026
O alerta ganha ainda mais importância diante do cenário registrado no Brasil nos primeiros meses de 2026. Dados do Instituto Todos Pela Saúde apontaram que os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) quase dobraram em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Diante do aumento, o Ministério da Saúde antecipou a campanha nacional de vacinação e reforçou a necessidade de atenção às complicações provocadas por doenças respiratórias. O cuidado é especialmente importante para idosos, crianças e pessoas com comorbidades.
As condições climáticas também podem favorecer a circulação de algumas infecções. Durante períodos mais frios e secos, aumentam os desafios para o sistema respiratório, além da maior circulação de vírus responsáveis por doenças das vias aéreas superiores.
Os resultados mostram que a presença de tosse, falta de ar e outros sinais respiratórios não deve ser automaticamente atribuída ao envelhecimento ou ao passado de tabagismo. A persistência ou a piora desses sintomas merece avaliação profissional, principalmente quando começa a afetar a rotina.











