A paisagem do Jardim Pernambuco, no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, começou a mudar nesta quinta-feira (4). A mansão que chegou a ser anunciada por R$ 220 milhões, apontada como uma das propriedades residenciais mais caras do Brasil, será demolida nos próximos três meses para dar lugar a um novo empreendimento imobiliário de altíssimo padrão.
No lugar da antiga residência surgirá o Estância Pernambuco, condomínio formado por dez casas e com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em aproximadamente R$ 360 milhões. A proposta transforma um dos maiores terrenos residenciais da região em um conjunto de imóveis exclusivos, cercados por áreas verdes e estruturas de lazer.
A antiga propriedade tinha dimensões pouco comuns até mesmo para o mercado de luxo. Eram 2.500 metros quadrados de área construída, seis suítes, 18 banheiros, piscina semiolímpica, biblioteca, sauna e heliponto. O terreno ocupava cerca de 11 mil metros quadrados.
Mansão tinha até uma casa para funcionários
A estrutura da residência também incluía uma construção peculiar: uma segunda casa, em tamanho reduzido, destinada aos funcionários responsáveis pela manutenção da propriedade.
Ao todo, cerca de 43 pessoas trabalhavam diariamente no local, que funcionava como uma grande estrutura residencial particular.
Agora, praticamente todo esse cenário será substituído pelo novo projeto. A transformação será conduzida pela Mozak, construtora carioca fundada há 32 anos por Isaac Elehep.
A empresa começou atuando em bairros da Zona Norte e na Barra da Tijuca e posteriormente avançou para regiões como Ipanema, Lagoa, Gávea e Jardim Botânico. Nos últimos anos, o Leblon passou a concentrar uma parcela importante dos negócios da companhia.
Em 2026, a construtora alcança a marca de 100 edifícios entregues no Rio de Janeiro. Breno Elehep, filho do fundador e um dos sócios, representa a segunda geração que começa a ganhar mais espaço na administração.
A aquisição do terreno que abrigava a mansão, segundo Breno, foi resultado de uma negociação que se estendeu por seis anos.
Novo condomínio terá dez mansões
As primeiras versões do projeto previam até oito residências. O plano, entretanto, foi atualizado e passou a contemplar dez casas, número confirmado pela Mozak.
Segundo uma publicação da própria construtora, sete unidades já foram negociadas, restando três disponíveis. Os lotes são oferecidos a partir de aproximadamente R$ 23 milhões, de acordo com informações divulgadas pela Veja Rio.
As casas terão terrenos de pelo menos 900 metros quadrados e poderão ser personalizadas pelos compradores. O projeto arquitetônico será desenvolvido pela Bernardes Arquitetura, enquanto o paisagismo ficará sob responsabilidade do escritório Daniel Nunes.
A localização privilegiada será um dos principais atributos do empreendimento. Conforme a Mozak, as residências terão vistas para o Cristo Redentor, a Lagoa e o mar. A previsão é que as novas casas sejam concluídas no segundo semestre de 2028.
Mata nativa, trilhas e mirante dentro do condomínio
Além das próprias mansões, o projeto prevê uma estrutura de lazer integrada à área verde do terreno.
O condomínio terá cerca de 8 mil metros quadrados de mata nativa, incluindo um bosque de acesso privativo, trilhas e um mirante. A proposta também contempla quadras esportivas, playground, campo de futebol, lago, chafariz, espaço de bem-estar e áreas destinadas à contemplação.

Os moradores terão ainda serviços compartilhados, como manutenção, administração, jardinagem, limpeza das piscinas e mensageria, além de portaria 24 horas.
O empreendimento será construído pelo modelo de grupo fechado de obra por administração. Nesse formato, os participantes se organizam para financiar a construção, em vez de adquirir uma casa pronta por um valor previamente fechado.
A Mozak ficará responsável pela gestão do projeto e pela administração das obras.
Peças da antiga mansão irão a leilão
Um leilão de demolição está marcado para 14 de setembro, com mais de 120 portas, aproximadamente 70 janelas, portões, grades, escadas, corrimãos e cerca de 20 postes de ferro fundido entre os itens disponíveis.
Também serão colocados à venda aproximadamente mil metros quadrados de piso de peroba-do-campo, além de madeira de ipê retirada do telhado, telhas de ardósia, louças sanitárias e cabeamento de cobre.
Equipamentos do sistema de ar-condicionado, componentes hidráulicos e quatro geradores também fazem parte da relação de materiais.
Os lances iniciais variam de R$ 300 a R$ 100 mil, dependendo da peça.
Até mesmo um elemento bastante peculiar da antiga propriedade entrará na disputa: partes da casa de boneca construída no jardim, uma miniatura da residência principal que também será desmontada durante o processo.











