Robôs humanoides capazes de preparar refeições, lavar roupas, organizar armários e realizar outras tarefas domésticas podem começar a deixar os laboratórios e chegar às casas nos próximos anos. Na China, uma empresa de robótica já anunciou planos para testar uma máquina desse tipo em residências de Wuhan durante o primeiro semestre de 2027, em um movimento que pode acelerar a presença da inteligência artificial no ambiente doméstico.
O avanço ocorre em meio à evolução dos grandes modelos de linguagem (LLMs) e às expectativas em torno da chamada inteligência artificial geral (AGI), tecnologia que, em tese, seria capaz de executar uma ampla variedade de tarefas com maior autonomia. A combinação desses sistemas com robôs capazes de perceber e interagir fisicamente com o ambiente vem aproximando um cenário que, até pouco tempo atrás, parecia restrito à ficção científica.
A tendência também é impulsionada por uma questão demográfica. A redução da população em diversos países aumenta a preocupação com a escassez de mão de obra, criando espaço para máquinas que possam assumir atividades em fábricas, estabelecimentos comerciais e, futuramente, dentro das residências.
Robô chinês já foi apresentado realizando tarefas domésticas
A startup chinesa GigaAI apresentou o SeeLight S1, descrito pela companhia como o primeiro robô humanoide doméstico de uso geral desenvolvido no país.
Em vídeos de demonstração, a máquina aparece cortando legumes, fritando ovos, colocando roupas na máquina de lavar, estendendo peças, arrumando a cama e abrindo cortinas. A empresa pretende iniciar testes em casas de Wuhan no primeiro semestre de 2027.
🤖 NEW: GigaAI unveiled its SeeLight S1 home humanoid robot, showcasing real household tasks like cooking, laundry, folding clothes, and organizing, with Wuhan set to receive the first 100 units ahead of public home trials.pic.twitter.com/zwamFyGdlL
— Cointelegraph (@Cointelegraph) May 21, 2026
Antes disso, unidades já começaram a ser utilizadas em ambientes de demonstração. Um teste com 100 robôs está previsto para ocorrer em alojamentos destinados a funcionários de empresas de tecnologia.
Em apartamentos-modelo, os equipamentos foram apresentados executando tarefas como preparar refeições, colocar louças na máquina de lavar, dobrar roupas e organizar armários.
Máquinas aprendem a lidar com diferentes ambientes
Uma das principais diferenças em relação aos robôs domésticos tradicionais está na capacidade de adaptação. Em vez de executar somente comandos previamente programados para situações específicas, o SeeLight S1 utiliza, segundo a GigaAI, um modelo de inteligência artificial incorporado ao próprio sistema robótico.
A tecnologia permite que o equipamento observe o ambiente, interprete comandos de voz, planeje uma sequência de ações e execute as tarefas de maneira autônoma.
Durante uma demonstração em Wuhan, dois robôs trabalharam simultaneamente. Enquanto um buscava alimentos, aquecia frango no micro-ondas, recolhia pratos e carregava a máquina de lavar louças, o outro retirava roupas da secadora, dobrava as peças e as guardava em um armário.
Segundo a empresa, os robôs conseguiram aprender essas atividades depois de menos de um mês de treinamento realizado no próprio local.
Robôs podem ocupar espaço deixado pela falta de trabalhadores
A expansão dos humanoides não está limitada às tarefas domésticas. Empresas de diferentes países desenvolvem máquinas para atuar em fábricas, serviços de atendimento ao consumidor e até competições esportivas.
A queda da população em idade de trabalhar é apontada como um dos fatores que podem acelerar esse processo. Em setores com dificuldade para encontrar funcionários, robôs capazes de executar tarefas físicas em ambientes projetados para seres humanos podem representar uma alternativa para as empresas.
Estimativas citadas no setor indicam que mais de 3 bilhões de robôs humanoides poderiam estar integrados à sociedade até 2060, caso a tecnologia avance conforme as projeções mais otimistas.
Os números atuais ainda estão muito distantes dessa escala. No primeiro semestre deste ano, foram enviados globalmente 19.100 robôs humanoides, mais de três vezes os 5.100 registrados no mesmo período do ano passado. Empresas chinesas responderam por 97% dos equipamentos enviados.
Elon Musk prevê produção em escala bilionária
O crescimento da robótica humanoide também é defendido por Elon Musk, executivo da Tesla e da SpaceX. Durante participação remota em uma reunião de ministros de inovação do G20, realizada no dia 1º em Chapel Hill, na Carolina do Norte, ele afirmou que a quantidade de humanoides poderá chegar a pelo menos 1 bilhão de unidades dentro de uma década.
Na avaliação de Musk, cada robô poderá alcançar produtividade equivalente a cinco trabalhadores humanos em dez anos. Com uma frota de 1 bilhão de máquinas, ele prevê uma capacidade produtiva superior à da humanidade combinada.
O empresário também projetou um forte impacto econômico provocado pela inteligência artificial. Segundo sua estimativa, a tecnologia poderia elevar a economia mundial entre 20% e 30%, o equivalente a US$ 20 trilhões a US$ 30 trilhões por ano.











