Programas do governo voltados a questões como moradia, renegociação de dívidas e acesso a benefícios passaram a ser usados como isca por criminosos que aplicam golpes digitais. Segundo alerta da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), os fraudadores aproveitam a popularidade dessas iniciativas e a crescente digitalização dos serviços públicos para criar falsas comunicações e convencer vítimas de que estão diante de uma oportunidade oficial.
A estratégia faz parte dos alertas da campanha “Tem Cara de Golpe”, que chama atenção para mensagens que prometem acelerar processos, oferecer descontos fora da realidade ou liberar recursos imediatamente. Em muitos casos, a vítima é direcionada para páginas, aplicativos ou canais que imitam serviços oficiais.
O objetivo pode ser tanto conseguir dinheiro por meio de pagamentos falsos quanto coletar informações pessoais e financeiras que posteriormente podem ser utilizadas em outras fraudes.
Minha Casa, Minha Vida vira alvo de falsas promessas
Um dos programas que aparecem entre as possíveis iscas é o Minha Casa, Minha Vida, voltado à ampliação do acesso à moradia e ao financiamento habitacional.
Nesse tipo de fraude, o criminoso pode afirmar que consegue colocar a vítima à frente de outras pessoas na fila ou garantir a aprovação de um financiamento. Para dar aparência de legitimidade à operação, são cobradas supostas taxas antecipadas.
O pagamento pode ser solicitado por Pix ou boletos falsos, sob a justificativa de que seria necessário quitar uma tarifa para liberar o financiamento ou acelerar o processo.
A promessa de conseguir uma vantagem que normalmente dependeria de critérios e procedimentos oficiais é justamente um dos sinais que devem despertar desconfiança.
Desenrola Brasil também foi usado como isca
Outra iniciativa explorada pelos criminosos é o Desenrola Brasil, programa criado para facilitar a renegociação de dívidas dos brasileiros e que chegou ao fim em 31 de agosto.
De acordo com a ABBC, os golpistas chegaram a desenvolver plataformas e aplicativos visualmente semelhantes aos utilizados pelo governo federal. Nesses ambientes falsos, são apresentadas supostas condições especiais para quitar ou renegociar dívidas.
O problema aparece no momento do pagamento. Em vez de o dinheiro seguir para o credor responsável pela dívida, a vítima acaba transferindo os recursos para os próprios criminosos.
A estratégia se aproveita de um cenário no qual muitas pessoas procuram alternativas para reduzir o endividamento e recuperar a situação financeira.
Mensagens urgentes devem levantar suspeita
Um dos principais mecanismos utilizados pelos fraudadores é a criação de uma sensação de urgência. A mensagem pode afirmar que determinado benefício precisa ser solicitado imediatamente ou que uma condição especial termina naquele mesmo dia.
Esse tipo de abordagem busca diminuir o tempo que a vítima tem para verificar a informação. Ao acreditar que perderá uma oportunidade se não agir rapidamente, a pessoa pode clicar no link, fornecer dados ou efetuar um pagamento sem conferir a origem da solicitação.
A recomendação é justamente fazer o contrário: desconfiar de mensagens que pressionam por uma decisão imediata.
Links recebidos por WhatsApp ou outros aplicativos de mensagens também merecem atenção especial. Antes de preencher qualquer formulário ou informar dados pessoais e financeiros, é necessário conferir cuidadosamente o endereço acessado.
Como identificar um canal oficial?
A ABBC orienta que os brasileiros verifiquem se estão realmente em um ambiente oficial antes de realizar qualquer procedimento.
Os portais do governo federal utilizam o domínio “.gov.br”. Por isso, não basta que uma página tenha o logotipo de um órgão público ou utilize cores e elementos visuais semelhantes aos de um serviço verdadeiro.
O endereço eletrônico precisa ser conferido integralmente. Pequenas alterações no domínio podem indicar que a página foi criada para imitar um serviço legítimo.
Outra orientação é evitar conversas iniciadas por supostos atendentes que entram em contato diretamente pelo WhatsApp oferecendo facilidades ou solicitando pagamentos.
Quando houver dúvida, o caminho mais seguro é acessar diretamente o portal Gov.br, digitando o endereço no navegador, em vez de utilizar um link recebido em uma mensagem.
Dependendo do assunto, também é possível procurar atendimento presencial em unidades do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).











