Os brasileiros que utilizam as chamadas canetas emagrecedoras podem encontrar preços mais baixos nos próximos meses com o aumento da concorrência no mercado de medicamentos da classe GLP-1. A avaliação é de Pedro Fernandes, sócio da McKinsey, que estima que uma redução nos valores pode provocar uma forte expansão do uso desses tratamentos e até triplicar a adesão entre adultos no país.
Uma pesquisa realizada pela consultoria com mais de 2 mil consumidores brasileiros apontou que os medicamentos já eram utilizados por aproximadamente 6% da população adulta no começo deste ano. O levantamento também identificou o preço como uma das principais barreiras para quem ainda não havia aderido aos tratamentos.
A expectativa de queda está relacionada principalmente à entrada de novos fabricantes no mercado de semaglutida, substância utilizada tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto no controle do peso.
Fim da exclusividade abre espaço para novos fabricantes
Até março deste ano, a Novo Nordisk detinha exclusividade sobre a utilização da semaglutida. Com o encerramento desse período, outras empresas passaram a ter espaço para investir na produção de medicamentos com a substância, aumentando a disputa por consumidores.
A EMS já atuava nesse segmento e desenvolveu sua própria versão de semaglutida, chamada Ozivy, que recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Pelo programa de fidelidade da farmacêutica, o medicamento pode ser encontrado por R$ 333.
Agora, com uma nova aprovação, a empresa poderá produzir outra versão contendo os mesmos princípios ativos da semaglutida por um preço potencialmente menor. A expectativa está relacionada à regra de mercado segundo a qual medicamentos genéricos podem chegar ao consumidor com custo inferior ao dos produtos de referência.
Nos documentos publicados no Diário Oficial, os novos medicamentos aparecem classificados como “genérico — registro de medicamento — clone”. A expressão, entretanto, não significa que se trate de uma cópia informal ou de um produto que não tenha sido avaliado pelas autoridades sanitárias.
O termo “clone” é utilizado pela própria Anvisa para designar um procedimento simplificado de registro. Ele pode ser aplicado quando o novo medicamento possui a mesma composição, fabricante, linha de produção e documentação técnica e clínica de outro produto que já passou pelo processo completo de avaliação da agência, denominado medicamento matriz.
As diferenças entre os produtos ficam concentradas em elementos como nome comercial, rotulagem e informações legais presentes na embalagem e na bula. No caso dos novos registros, os medicamentos utilizados como matriz são Olire e Lirux.
Quanto as novas canetas vão custar?
Apesar da perspectiva de maior concorrência, ainda não é possível saber exatamente quanto as novas canetas de semaglutida chegarão a custar nas farmácias. O registro publicado pela Anvisa não estabelece o preço dos medicamentos.
No Brasil, os valores máximos são regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Pela regra atual, o Preço Fábrica de um medicamento genérico enquadrado nessa categoria não pode ultrapassar 65% do valor autorizado para o medicamento de referência.
Isso, porém, não significa que o consumidor necessariamente encontrará uma redução de 35% no preço final. O valor efetivamente pago pode ser influenciado por impostos, descontos concedidos pelos fabricantes e estratégias comerciais adotadas pelas redes de farmácias.
A CMED estabelece um teto para os preços praticados no varejo, mas os estabelecimentos podem comercializar os medicamentos por valores inferiores ao limite autorizado.
A EMS já havia aumentado a concorrência no segmento em 2025, quando lançou Olire e Lirux. Na ocasião, os preços sugeridos começavam em R$ 307,26 por caneta.











