Publicado esta semana na revista Science Advances, um novo estudo encontrou evidências de que caçadores-coletores da era glacial usavam nozes de betel, sementes de palmeira com uma substância neuroativa, para aliviar a dor de dente. O uso recorrente dessas nozes causou sulcos profundos nos dentes encontrados e analisados por esse estudo.
De acordo com o site Live Science, os pesquisadores encontraram esqueletos parciais de dois caçadores-coletores na ilha de Sulawesi, na Indonésia. Um deles viveu entre 16 mil e 25 mil anos atrás. O outro, entre 6,3 mil e 7,6 mil anos atrás. Ambos morreram entre os 40 e 50 anos. Os cientistas encontraram sulcos estranhos nos dentes desses dois esqueletos e em sua análise concluíram que eles foram causados pelo uso recorrente das nozes de betel.
Um composto neuroativo chamado arecolina presentes nessas nozes tem um efeito estimulante quando mastigado com cal hidratada ou hidróxido de cálcio. Por isso, elas eram muito usadas para aliviar a dor de dente. Porém, as próprias nozes também acabavam piorando os problemas dentários, como cáries. “Quanto mais eles chupavam a noz para aliviar a dor de dente, pior ficava o dano aos seus dentes”, afirmou o primeiro autor do estudo, Adam Brumm, arqueólogo da Universidade Griffith, na Austrália, ao Live Science. Em um dos esqueletos, a cárie era tão profunda que chegava a expor a polpa dentária.
Noz de betel
A noz de betel ou noz de areca ainda é bastante usada nas partes do sul da Ásia e da Oceania, sendo misturada com cal hidratada para fazer uma massa mastigável. Altamente viciante, essa massa é consumida por cerca de 600 milhões de pessoas. Além de causar muitos danos dentários, a arecolina presente nessas nozes é uma substância cancerígena.











