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Brasileiros recebem alerta sobre fenômeno que tem 75% de chance de ser o mais forte desde 1950

Por Pedro Silvini
14/09/2026
Em Geral
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frente fria frio tempo clima

Foto: (Reprodução/Agência Brasil)

O Brasil entrou em estado de atenção diante da possibilidade de formação de um dos episódios mais intensos de El Niño já registrados. Uma nova projeção do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA), repercutida pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indica mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um evento climático muito forte durante a primavera e o verão de 2026–2027 no Hemisfério Sul. Dentro desse cenário, a estimativa aponta ainda 75% de chance de que o fenômeno seja o mais intenso desde 1950.

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O desenvolvimento do fenômeno pode provocar alterações importantes nos padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões brasileiras. Entre os principais riscos estão temporais mais severos no Sul, redução das chuvas na Amazônia e possibilidade de impactos sobre a produção agropecuária. Ao mesmo tempo, o Norte, o Nordeste e áreas do Brasil Central, incluindo o Centro-Oeste, Minas Gerais e Espírito Santo, podem enfrentar precipitações abaixo da média e aumento do risco de problemas relacionados à disponibilidade de água.

O El Niño faz parte do chamado El Niño–Oscilação Sul (Enos), um fenômeno natural relacionado às alterações na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial e na pressão atmosférica. O ciclo possui três fases: El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas; La Niña, associada ao resfriamento; e a condição neutra, quando nenhuma das duas situações predomina.

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Essas mudanças no Pacífico conseguem interferir na circulação atmosférica e, consequentemente, modificar os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta.

Os dados mais recentes da NOAA mostram uma anomalia de aproximadamente +2,7°C na temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, localizada no Pacífico Equatorial Central. O indicador é acompanhado por meio do ONI (Índice Oceânico Niño), utilizado para avaliar a evolução do El Niño e da La Niña.

O número chama atenção quando comparado aos principais episódios registrados anteriormente. Na primeira semana de setembro, o ONI apresentava anomalias de +1,6°C em 2023, +1,7°C em 2015, +2,1°C em 1997 e +0,6°C em 1982.

A NOAA também passou a utilizar o RONI (Índice Oceânico Niño Relativo), que desconta parte do aquecimento observado nos oceanos tropicais. Por esse método, a anomalia atual chega a +1,8°C, classificação compatível com um El Niño forte.

Projeções apontam para pico entre novembro e dezembro

Os modelos climáticos utilizados para projetar a evolução do fenômeno indicam que o El Niño ainda deve ganhar força nos próximos meses. A expectativa é que o pico aconteça entre novembro e dezembro, quando a mediana das simulações aponta para valores próximos de +4°C na região Niño 3.4.

Caso essa projeção se confirme, a intensidade ficará muito acima dos +2°C utilizados como referência para caracterizar um chamado Super El Niño e poderá superar os maiores picos observados nos principais eventos das últimas décadas.

O ritmo de evolução também é considerado fora do padrão. Segundo levantamento da MetSul baseado nos dados semanais da NOAA, o maior valor registrado na região Niño 3.4 durante os principais episódios de Super El Niño foi de +3,0°C em 2015, na semana de 18 de novembro. Em 1982, o pico chegou a +2,6°C, registrado na semana de 29 de dezembro.

Em 2026, entretanto, a marca de +2°C foi alcançada muito mais cedo, já em 8 de julho. Para efeito de comparação, em 1982 esse patamar só foi atingido em novembro. Em 1997 e 2015, a marca foi alcançada em setembro.

A velocidade com que o aquecimento avançou reforça a preocupação dos especialistas, especialmente porque o fenômeno ainda pode se intensificar antes de atingir sua máxima força.

Mudanças na chuva podem afetar diferentes regiões do Brasil

Os efeitos de um El Niño de grande intensidade não são uniformes em todo o território brasileiro. As alterações na circulação atmosférica podem favorecer condições muito diferentes entre as regiões, aumentando tanto o risco de chuvas extremas quanto o de períodos prolongados de estiagem.

No Sul, um dos principais pontos de atenção é a possibilidade de ocorrência de temporais e outros eventos meteorológicos extremos. Na Amazônia, a redução das chuvas pode agravar a seca e aumentar a pressão sobre rios, reservatórios e ecossistemas.

Já o Norte, o Nordeste e áreas do Brasil Central podem registrar precipitações inferiores à média. O cenário inclui o Centro-Oeste, Minas Gerais e Espírito Santo, regiões nas quais a menor disponibilidade de chuva pode elevar o risco de problemas relacionados ao abastecimento de água.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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Imagem de Jan Kuss por Pixabay

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