A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal, iniciada na quinta-feira (10), colocou milhões de brasileiros em alerta, principalmente aqueles que utilizam o banco para receber benefícios como INSS, FGTS e Bolsa Família. Apesar da paralisação das agências em todo o país, os pagamentos não foram suspensos automaticamente e os principais canais digitais continuam disponíveis para movimentações financeiras.
A paralisação foi aprovada depois que 90% dos votos válidos rejeitaram a proposta apresentada pela instituição para renovar o Acordo Coletivo de Trabalho. A Caixa é responsável pelo pagamento de 30 benefícios e atende aproximadamente 56 milhões de pessoas, o que amplia a preocupação sobre possíveis efeitos da greve na rotina dos beneficiários.
A paralisação não significa que o dinheiro dos benefícios deixará de ser disponibilizado. Aplicativo Caixa, Internet Banking, caixas eletrônicos e outros canais remotos permanecem como alternativas para consultar valores, realizar pagamentos e movimentar recursos.
O principal impacto tende a ocorrer nos serviços que dependem diretamente dos funcionários das agências. Procedimentos que exigem conferência de documentos, análise técnica, atualização de informações ou correção de pendências podem levar mais tempo durante a greve.
Para quem recebe INSS ou Bolsa Família, portanto, a orientação é priorizar os canais digitais sempre que possível e acompanhar os comunicados oficiais da Caixa. Os pagamentos vinculados aos benefícios não foram interrompidos em razão da paralisação.
No caso do Bolsa Família, os depósitos previstos para a segunda quinzena do mês continuam no calendário dos beneficiários. A dificuldade pode aparecer principalmente quando houver necessidade de atendimento presencial para regularizar alguma situação ou solucionar um problema relacionado ao pagamento.

Caixa reabre negociação com bancários
Mesmo com as agências paralisadas por tempo indeterminado, houve uma mudança nas negociações entre a Caixa e os trabalhadores. O banco desistiu de levar a disputa para dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e informou à Contraf-CUT, na noite de domingo (13), que pretende reabrir a mesa de negociação.
A instituição também comunicou que irá suspender as sanções anunciadas anteriormente. O principal ponto de conflito entre os funcionários e a Caixa, entretanto, continua relacionado ao Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados.
Na proposta rejeitada, o banco oferecia um prêmio de reconhecimento de R$ 3 mil por funcionário, além do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) previsto para sexta-feira (18). Também estava incluída a elevação do teto de custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%.
A proposta previa ainda que os empregados contribuíssem com um percentual sobre o salário-base entre 2,30% e 4,10%, de acordo com a idade, além de uma cobrança por dependente que variaria de R$ 480 a R$ 660, também conforme a faixa etária.
Banco apresentou medidas para reduzir déficit do plano de saúde
Como parte da tentativa de solucionar o problema financeiro do Saúde Caixa, a instituição propôs antecipar sua parcela da 13ª mensalidade do plano referente aos anos de 2028, 2029 e 2030.
Também foi oferecido o pagamento de valores relacionados ao PAMS (Programa de Assistência Médico-Supletiva) a partir de 2027. A Caixa ainda propôs destinar R$ 236 milhões para ações de prevenção à saúde a partir de janeiro do próximo ano.
Mesmo diante das medidas, a categoria decidiu rejeitar a proposta em assembleia realizada na noite de sexta-feira. Em São Paulo, Osasco e região, principal base dos trabalhadores, o acordo foi recusado por 68% dos votos.











