A trajetória de Neymar na Seleção Brasileira caminha para um novo capítulo, desta vez sem a presença do camisa 10 entre os primeiros convocados após a última Copa do Mundo. A ausência ocorre em meio ao processo de renovação conduzido pelo técnico Carlo Ancelotti, que passou a apostar em uma geração mais jovem para preparar a equipe para os próximos desafios.
A participação de Neymar no último Mundial havia sido cercada de questionamentos. O atacante ficou praticamente fora de todo o ciclo preparatório e era alvo de críticas relacionadas à falta de intensidade. Mesmo assim, Ancelotti defendeu a decisão de levá-lo para a competição e afirmou, em entrevista ao CNN Esportes S/A neste domingo (13), que o jogador merecia estar no torneio por sua qualidade técnica.
“Ele merecia estar por sua qualidade. Neymar não se pode substituir porque foi um talento extraordinário e único. É um jogador irrepetível”, afirmou o treinador. Para Ancelotti, a solução diante da ausência de um atleta com características tão particulares é fortalecer o coletivo e construir uma equipe capaz de compensar a perda individual.

Seleção inicia renovação sem o camisa 10
Depois da Copa, a primeira convocação de Ancelotti marcou uma mudança significativa no perfil do elenco. A lista apresentada na última quarta-feira contou com oito jogadores estreantes: os goleiros Pedro Morisco, do Coritiba, e Otávio, do Cruzeiro; os laterais Matheuzinho, do Corinthians, e Mauro Junior, do PSV; os zagueiros Arthur Dias, do Athletico, e Jair, do Nottingham Forest; além dos volantes Breno Bidon, do Corinthians, e Gabriel Bontempo, do Santos.
A escolha por atletas mais jovens também aparece na idade média do grupo. Os convocados têm, em média, 24,4 anos, cinco anos a menos do que o elenco que disputou a Copa, cuja média era de 29,6 anos.
A mudança sinaliza uma nova estratégia de Ancelotti em relação ao primeiro ano de trabalho à frente da Seleção. O treinador vinha recorrendo com maior frequência a jogadores de uma geração mais experiente, mas agora passou a ampliar o espaço para nomes que podem formar a base da equipe nos próximos ciclos.
Neymar assume novo papel no Santos
Enquanto perde espaço no planejamento imediato da Seleção, Neymar passou a exercer uma função cada vez mais relevante nos bastidores do Santos, clube que o revelou para o futebol profissional.
O atacante participou diretamente de uma solução encontrada para a crise financeira que atingiu o Peixe após uma dívida de 2 milhões de euros com o Monaco, relacionada à transferência de Jean Lucas realizada no verão europeu de 2023. Em maio de 2025, o Tribunal Arbitral do Esporte rejeitou o recurso apresentado pelo Santos, e o clube acabou punido com um bloqueio para registrar novos jogadores durante três janelas de transferências.
A empresa de marketing de Neymar assumiu o pagamento da dívida em um acordo que também envolveu a utilização da marca “Pelé” nas camisas do Santos. A marca foi adquirida pela empresa do jogador e passou a fazer parte do uniforme alvinegro como consequência da parceria.
A influência do camisa 10, porém, não ficou restrita à questão financeira. Neymar também passou a participar da montagem do elenco e das negociações para a chegada de reforços, aproximando-se de uma função semelhante à de um diretor de futebol nos bastidores.
Lesão afasta Neymar justamente na reta decisiva
Atualmente, Neymar também está afastado dos gramados por causa de uma lesão no joelho sofrida durante o confronto contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil. Mesmo sem poder atuar, o jogador continua envolvido na rotina do clube e tem ajudado o Santos na preparação para a parte decisiva da temporada.
Dentro de campo, o Santos ocupa a 13ª colocação do Campeonato Brasileiro, com sete pontos de vantagem sobre a zona de rebaixamento. A equipe também continua na disputa da Copa Sul-Americana e se prepara para o jogo de volta das quartas de final contra o Atlético-MG.
O Peixe chega ao confronto em vantagem após vencer a primeira partida por 2 a 0. Assim, enquanto a Seleção Brasileira inicia uma fase de renovação sem Neymar, o atacante concentra parte cada vez maior de sua atuação no projeto do Santos, onde sua influência passou a ultrapassar os limites do campo.











