O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil também tem mudado a relação de muitos pacientes com a alimentação. Como esses medicamentos podem reduzir significativamente o apetite e fazer com que as refeições tenham porções menores, a escolha dos alimentos ganha ainda mais importância. Nesse cenário, nutricionistas orientam que cada refeição seja aproveitada para concentrar nutrientes essenciais, com atenção especial às proteínas, fibras, vitaminas, minerais e gorduras de boa qualidade.
Uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva, divulgada pelo jornal O Globo, ajuda a dimensionar a popularização desses medicamentos. O levantamento ouviu 1.004 pessoas em todo o país e apontou que 62% dos brasileiros conhecem alguém que utiliza ou já utilizou uma caneta para emagrecer. Em 33% dos domicílios, ou aproximadamente um em cada três, há pelo menos um morador que fez ou faz uso dos produtos.
O estudo também mostrou que 24% dos entrevistados já utilizaram esses medicamentos, sendo 11% usuários atuais. Outro dado chama atenção para a segurança: cerca de quatro em cada dez usuários conseguiram as canetas sem prescrição médica, por meio da internet ou durante viagens ao exterior.
No Brasil, porém, esses medicamentos devem ser dispensados mediante prescrição. O acompanhamento profissional é necessário para avaliar as condições individuais do paciente, possíveis contraindicações, efeitos adversos e a evolução do tratamento. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) também reforça a necessidade de orientação e acompanhamento contínuos.
Menos comida exige mais qualidade nutricional
A redução da fome não significa que o organismo passe a precisar de menos vitaminas, minerais, proteínas ou outros nutrientes. Por isso, quando o volume de comida diminui, a composição do prato se torna ainda mais relevante.
A orientação nutricional é não concentrar a alimentação apenas em fontes de proteína. Folhas, legumes, frutas e alimentos ricos em fibras devem continuar presentes na rotina, enquanto as gorduras de boa qualidade também podem fazer parte das refeições. Além de contribuírem para a saciedade, esses nutrientes desempenham funções importantes para o funcionamento do organismo, incluindo a manutenção da massa muscular, da pele e do sistema imunológico e a proteção cardiovascular.
Os carboidratos também não precisam ser eliminados. A diferença está na qualidade das escolhas. Alimentos como aveia, batata-doce, cuscuz marroquino e mamão podem fornecer energia e outros nutrientes dentro de uma alimentação equilibrada.
A lógica, portanto, é aproveitar as refeições menores para obter a maior quantidade possível de nutrientes sem ultrapassar as necessidades calóricas individuais.
Quais alimentos podem piorar os efeitos colaterais
Embora a alimentação deva ser individualizada, alguns grupos merecem atenção durante o tratamento. Preparações muito gordurosas, por exemplo, podem aumentar a ocorrência de desconfortos digestivos. Frituras, batata frita, frango frito, pizza, hambúrgueres, donuts, sorvetes, manteiga, creme de leite e alguns queijos estão entre os alimentos que podem ser mais difíceis de tolerar.
Isso ocorre porque as próprias preparações ricas em gordura podem provocar desconforto gastrointestinal. Além disso, medicamentos desse tipo podem retardar o esvaziamento do estômago, fazendo com que determinados alimentos permaneçam por mais tempo no sistema digestivo e favorecendo sintomas como enjoo e sensação de estômago pesado.
Alimentos e bebidas com grande quantidade de açúcar também devem ser reduzidos. Bolos, biscoitos, doces, refrigerantes, sucos adoçados e outras bebidas açucaradas podem dificultar o controle da glicemia, especialmente entre pessoas com diabetes. A leitura dos rótulos é uma estratégia importante para identificar produtos que possuem mais açúcar adicionado do que aparentam.
Outro grupo que merece moderação são os carboidratos refinados e ultraprocessados, como pão branco, arroz branco, farinha branca e biscoitos. Esses alimentos apresentam menos fibras e, em geral, menor densidade nutricional do que opções menos processadas, além de poderem provocar elevações mais rápidas da glicose no sangue.
Nem todo carboidrato precisa sair do prato
A recomendação não significa eliminar os carboidratos da alimentação. Eles são importantes fontes de energia e podem fazer parte de uma dieta equilibrada. A preferência deve ser por opções que também ofereçam fibras e outros nutrientes.
Vegetais ricos em amido, como batata e milho, por exemplo, não precisam ser completamente retirados do cardápio. O ponto principal é controlar as quantidades e considerar o conjunto da refeição, especialmente para quem precisa controlar a glicemia.
A diferença entre esses alimentos e opções como aveia, frutas e outros carboidratos menos refinados está justamente na composição nutricional e na forma como podem ser incorporados a refeições mais completas.
Álcool também exige cuidado
O consumo de bebidas alcoólicas é outro ponto de atenção durante o tratamento. O álcool pode irritar o estômago e, combinado ao efeito dos medicamentos sobre o esvaziamento gástrico, aumentar a possibilidade de náuseas e outros desconfortos digestivos.
Para pessoas que utilizam medicamentos para diabetes, a combinação também pode elevar o risco de hipoglicemia, dependendo do tratamento utilizado e das condições individuais. Por isso, a recomendação mais segura é discutir o consumo de álcool com o profissional responsável pelo acompanhamento.











