Em meio ao aumento do tempo que crianças e adolescentes passam diante de telas, reservar parte do dia para atividades ao ar livre pode ser uma estratégia importante para equilibrar a rotina. Dados reunidos por especialistas apontam que crianças devem ter cerca de uma hora diária de atividade física moderada, enquanto períodos de aproximadamente 30 minutos em parques ou áreas naturais também podem proporcionar benefícios específicos, especialmente para a concentração.
O desafio ganhou novas proporções com a expansão do uso de dispositivos eletrônicos. Um levantamento da Kaiser Family Foundation apontou que crianças e adolescentes entre 8 e 18 anos chegavam a passar, em média, 7 horas e 38 minutos por dia diante de telas, deixando menos espaço para brincadeiras, contato com a natureza e convivência presencial.
As recomendações apresentadas pelos especialistas convergem para a necessidade de incluir atividade física na rotina infantil. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) orientam que crianças tenham ao menos uma hora por dia de atividade física moderada.
Brincar em parques, correr, andar de bicicleta, jogar bola e participar de outras atividades ao ar livre são formas de atingir esse objetivo sem necessariamente transformar o exercício em uma tarefa formal.
A Academia Americana de Pediatria também destaca a importância de reservar aproximadamente uma hora diária para que as crianças possam relaxar e participar de brincadeiras simples e criativas. Esse período contribui não apenas para o desenvolvimento físico, mas também para aspectos relacionados à saúde mental e à socialização.
Além da quantidade, o momento escolhido pode fazer diferença na experiência da criança. Para os menores, a manhã costuma ser considerada especialmente favorável, quando eles tendem a estar mais dispostos e os playgrounds geralmente estão menos cheios.

Meia hora no parque pode ajudar na concentração
O tempo necessário não é necessariamente longo para que o contato com ambientes naturais seja incorporado à rotina. Pesquisadores da Universidade de Illinois observaram que 30 minutos em um ambiente de parque podem estar associados a melhora da concentração e a um comportamento mais tranquilo entre crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Isso não significa que brincar ao ar livre seja tratamento ou cura para o TDAH. O resultado indica, porém, que o contato com áreas naturais pode funcionar como um recurso complementar para favorecer atenção e foco.
A atividade também permite que a criança desenvolva habilidades motoras enquanto explora o ambiente e interage com outras pessoas.
Manhã pode ser um bom momento para sair
Para crianças pequenas, o período entre o meio da manhã e antes do meio-dia pode ser particularmente interessante. Durante a semana, muitos playgrounds ficam menos movimentados nesse horário porque parte das crianças está na escola, criando um ambiente mais tranquilo para os pequenos explorarem os brinquedos e praticarem movimentos.
A manhã também coincide com um período em que muitas crianças já estão naturalmente dispostas a brincar depois do café da manhã. Em dias quentes, sair mais cedo ainda ajuda a evitar os horários de maior calor.
Outro possível benefício está relacionado à exposição à luz natural. A luminosidade recebida pela manhã funciona como um sinal para o organismo de que o dia começou e participa da regulação do ritmo circadiano. Por isso, manter atividades externas antes do meio-dia pode contribuir para uma rotina de sono mais organizada.
Crianças também precisam de espaço para socializar
Um playground completamente vazio pode ser interessante para uma criança pequena que ainda está desenvolvendo habilidades motoras, mas o contato com outras crianças também tem papel importante no desenvolvimento.
Por isso, o ideal é encontrar um equilíbrio entre um ambiente seguro e tranquilo e a possibilidade de interação social. Para crianças maiores, os momentos em que há outras pessoas no local podem favorecer brincadeiras coletivas, comunicação e criação de vínculos.
A recomendação não precisa se limitar aos playgrounds tradicionais. Parques, praças, quintais e outras áreas externas podem cumprir a mesma função. Até espaços de recreação fechados podem ser utilizados quando oferecem oportunidades para movimento e convivência.











