Milhões de famílias brasileiras que recebem o Bolsa Família terão um aumento no valor do benefício a partir de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos pagamentos, fazendo com que o valor mínimo passe de R$ 600 para R$ 691.
A nova quantia começará a ser depositada em 19 de outubro de 2026, conforme o calendário divulgado pelo governo. Com a correção, o pagamento médio do programa deverá chegar a aproximadamente R$ 777.
De acordo com o governo federal, cerca de 19 milhões de famílias serão alcançadas pela mudança. O decreto que estabelece os novos valores já foi assinado, e a folha de pagamentos referente a outubro será processada com o reajuste.
O governo afirma que a atualização representa uma reposição da inflação acumulada durante o período em que os valores permaneceram congelados. O piso de R$ 600 está em vigor desde agosto de 2022, quando o então Auxílio Brasil teve o benefício elevado de R$ 400 para R$ 600.
Naquele ano, o aumento ocorreu por meio da chamada PEC Kamikaze, aprovada pelo Congresso em período próximo às eleições e que autorizou uma série de benefícios extraordinários. A medida teve custo estimado em R$ 41,25 bilhões, em valores da época.
Com a eleição de Lula, o valor de R$ 600 foi mantido e o programa voltou a utilizar o nome Bolsa Família.
A legislação atual permite que os valores dos benefícios sejam modificados pelo Poder Executivo em intervalos de, no máximo, 24 meses. A regra também impede a redução dos valores pagos. O governo sustenta que a recomposição pela inflação pode ser realizada mesmo em período eleitoral.

Quem pode receber o Bolsa Família
Apesar do aumento, não houve alteração no critério de renda utilizado para definir quem pode ser elegível ao programa.
Continuam aptas a receber o benefício as famílias inscritas no Cadastro Único que tenham renda mensal de até R$ 218 por pessoa. Isso, entretanto, não significa que a inscrição no CadÚnico garanta automaticamente a entrada no Bolsa Família.
O ingresso depende da disponibilidade orçamentária do programa. Diferentemente de despesas previdenciárias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo, o Bolsa Família não é uma despesa integralmente obrigatória. Dessa forma, o governo pode controlar o fluxo de entrada de novos beneficiários conforme a dotação disponível no Orçamento.
Em agosto, 405.806 famílias estavam na fila aguardando a entrada no programa. O número representa uma alta em relação a julho, quando havia 405.806 famílias — e uma queda significativa na comparação com agosto de 2025, quando 709.135 famílias aguardavam pelo benefício.
Reajuste terá impacto bilionário nos cofres públicos
A atualização dos pagamentos também terá efeito direto sobre o orçamento federal. Segundo a projeção do Ministério do Planejamento, o aumento representará R$ 5,8 bilhões adicionais nas despesas do Bolsa Família ainda em 2026.
O programa tinha inicialmente uma previsão de gastos de aproximadamente R$ 160 bilhões neste ano.
Para 2027, o impacto será ainda maior. A previsão orçamentária deverá passar de R$ 157,1 bilhões para R$ 179,1 bilhões, um acréscimo de R$ 22 bilhões.
Aumento ocorre em meio ao calendário eleitoral
A decisão de reajustar o benefício também entrou no debate político por ocorrer a poucas semanas das eleições. O primeiro pagamento com os novos valores está previsto para 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turnos do pleito.
A medida gerou reação de adversários do governo. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC), aliado de Flávio Bolsonaro, chegou a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a suspensão do aumento. O pedido, porém, foi rejeitado pelo ministro Mendonça, sob o argumento de que um deputado federal não poderia apresentar uma ação contra um candidato à Presidência.
Horas depois, Flávio Bolsonaro declarou que não concordava com a iniciativa apresentada pelo deputado.











