Os donos de cachorros precisam redobrar os cuidados com os passeios durante os períodos de calor intenso. A recomendação de entidades de proteção animal é evitar que os cães sejam levados para caminhar nas horas mais quentes do dia, especialmente entre o fim da manhã e a tarde. Uma das orientações é programar as saídas antes das 10h ou no início da noite, preferencialmente depois das 19h.
O alerta está relacionado tanto ao risco de superaquecimento quanto à temperatura do solo. Os cães não conseguem regular a temperatura corporal com a mesma eficiência que os seres humanos e o exercício é apontado como um dos principais fatores associados aos casos de insolação em animais.
Não existe, porém, uma temperatura considerada universalmente segura para todos os cães. O risco varia de acordo com raça, idade, condições de saúde, pelagem e características individuais do animal.

Calçada quente pode causar queimaduras nas patas
Um teste simples pode ajudar o tutor a verificar se o chão está adequado para o passeio. A recomendação é encostar a parte de trás da mão no pavimento durante cinco segundos. Se não for possível mantê-la no local confortavelmente, a superfície está quente demais para as patas do cachorro.
O problema pode ser ainda maior porque a empolgação do animal durante o passeio pode esconder a dor provocada pelo contato com o piso aquecido. O cachorro pode continuar andando mesmo depois de sofrer uma lesão nos coxins, fazendo com que o tutor só perceba o machucado quando chegar em casa.
Entre os sinais de que as patas podem ter sido afetadas estão mancar, se recusar a caminhar, lamber ou morder os pés, apresentar alteração na coloração dos coxins, vermelhidão, bolhas ou áreas danificadas. Em cães com coxins naturalmente escuros, uma lesão pode ficar escondida sob uma crosta e ser mais difícil de identificar visualmente.
Por isso, ao retornar do passeio, é indicado observar e tocar cuidadosamente as patas. Caso o animal demonstre dor ou sensibilidade, novas caminhadas devem ser evitadas até que a região seja avaliada e receba os cuidados necessários.
Horário do passeio faz diferença
A recomendação da Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (RSPCA) é adaptar a rotina durante períodos quentes e optar pelo início da manhã ou pelo fim da noite. Sempre que possível, os tutores devem procurar áreas com sombra e priorizar gramados em vez de superfícies que absorvem grande quantidade de calor.
O período entre 15h e 18h, por exemplo, ainda pode apresentar condições desconfortáveis para os cães, mesmo com o sol aparentemente mais baixo. Calçadas, ruas e trilhas podem continuar armazenando o calor acumulado ao longo do dia.
Também é importante evitar atividades mais intensas, como correr ou andar de bicicleta com o cachorro, quando as temperaturas estiverem elevadas. Em dias muito quentes, uma caminhada mais curta pode ser suficiente. Permitir que o animal caminhe lentamente, explore o ambiente e cheire diferentes locais proporciona estímulo mental sem exigir esforço físico excessivo.
Alguns cães têm risco maior de sofrer com o calor
Filhotes, cães idosos, animais com determinadas condições de saúde e aqueles com pelagem muito espessa podem ter mais dificuldade para controlar a própria temperatura. As raças de focinho achatado, como bulldogs e pugs, também exigem atenção especial, já que suas características respiratórias podem dificultar o resfriamento por meio da respiração.
Os sinais de insolação incluem respiração excessivamente ofegante, salivação ou espuma, confusão, tremores, fraqueza, desmaio, vômitos, diarreia e convulsões.
Ao identificar esses sintomas, o animal deve ser levado imediatamente para um local fresco e protegido do sol. A orientação é resfriá-lo gradualmente com água mais fresca do que a temperatura corporal, despejada sobre o corpo, mas evitando a cabeça caso ele esteja com dificuldade para respirar.
Também não é recomendado cobrir o cachorro com toalhas molhadas, pois o tecido pode reter o calor junto ao corpo e dificultar o resfriamento.











