Os brasileiros que pagam conta de luz devem se preparar para uma alta nas tarifas de energia elétrica em 2026. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) elevou para 9,4% a projeção média de reajuste das contas no próximo ano, percentual superior às estimativas de inflação previstas para o período.
A nova previsão consta no boletim InfoTarifas, divulgado nesta sexta-feira (18), e representa uma aceleração em relação às estimativas anteriores da própria agência. Em março, a expectativa era de aumento médio de 8%, enquanto em junho a projeção havia subido para 8,6%.
Mesmo com a nova estimativa, o impacto não será igual para todos os consumidores. A variação depende da distribuidora responsável pelo fornecimento e da região atendida. Em parte do mercado, o efeito tarifário médio poderá superar 15%.
A alta projetada só não deverá ser maior porque aproximadamente R$ 10,7 bilhões em recursos públicos e setoriais serão utilizados para reduzir parte da pressão sobre as tarifas. Desse montante, cerca de R$ 5,5 bilhões são provenientes da repactuação de obrigações relacionadas ao Uso de Bem Público (UBP) das usinas hidrelétricas.
Conta de luz terá pressão de diferentes custos
De acordo com a Aneel, os principais fatores responsáveis pela projeção de 9,4% estão relacionados aos componentes financeiros dos processos de reajuste, aos encargos do setor elétrico e ao custo de compra da energia.
Os componentes financeiros representam o maior impacto na estimativa nacional, respondendo por 4,7 pontos percentuais do reajuste projetado. Na sequência aparecem os encargos setoriais, com 1,6 ponto percentual, e a compra de energia, responsável por 1,1 ponto.
Os custos relacionados à transmissão acrescentam outros 0,9 ponto percentual, enquanto as despesas das próprias distribuidoras, classificadas como Parcela B, representam 0,8 ponto.
Entre os fatores de maior pressão está a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), mecanismo que reúne diferentes subsídios e políticas do setor elétrico. Segundo o boletim, o aumento das despesas associadas à CDE interfere tanto nos componentes econômicos quanto nos financeiros considerados nos processos tarifários.
O resultado é uma previsão de reajuste superior às projeções de inflação para o ano. A estimativa citada pela Aneel aponta 4,4% para o IGP-M e 5% para o IPCA, índices que ficam abaixo da alta média projetada para as tarifas de eletricidade.
Recursos serão usados para reduzir impacto em algumas regiões
A projeção de 9,4% já considera os recursos obtidos com a repactuação das obrigações de pagamento pelo Uso de Bem Público das usinas hidrelétricas.
A decisão da Aneel permitiu um repasse preliminar de aproximadamente R$ 5,5 bilhões às distribuidoras que atuam nas áreas abrangidas pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Os recursos são direcionados à CDE e têm como finalidade reduzir o impacto dos reajustes para os consumidores atendidos pelo mercado regulado. Sem essa compensação, a pressão sobre as tarifas poderia ser ainda maior.
Mesmo com a aplicação dos recursos, entretanto, existe uma diferença expressiva entre as regiões. Segundo o boletim, 16% do mercado atendido pelas distribuidoras está em áreas onde o efeito tarifário médio supera 15%.
Outros 10% do mercado estão em regiões nas quais o impacto fica entre 12% e 15%. Na outra ponta, apenas 5% dos consumidores estão em concessões com efeito tarifário inferior a 3%.
Reajustes também refletem investimentos das distribuidoras
A Aneel prevê 51 processos tarifários em 2026, sendo 15 deles referentes a revisões tarifárias periódicas. Esses processos consideram diferentes componentes dos custos e investimentos realizados pelas empresas responsáveis pela distribuição de energia.
Entre as grandes distribuidoras, os ativos imobilizados reconhecidos pela agência reguladora apresentaram crescimento entre 32% e 57% em comparação com os valores considerados no ciclo anterior, já atualizados pela inflação.
Esse aumento dos ativos também influencia a projeção nacional. Segundo a Aneel, o efeito acrescentou aproximadamente 0,3 ponto percentual à estimativa média de reajuste das tarifas.











