Para quem trabalha fora de casa e costuma fazer a principal refeição do dia em restaurantes, o gasto acumulado ao longo do mês pode representar uma parcela significativa da renda. Em Belo Horizonte, uma pessoa que almoce diariamente com uma refeição por quilo acompanhada de suco natural pode desembolsar R$ 1.421,61 em apenas 30 dias, valor equivalente a cerca de 88% do salário mínimo nacional, atualmente fixado em R$ 1.621.
A estimativa foi divulgada pelo site MercadoMineiro nesta segunda-feira (21) e considera o preço médio de uma refeição de 500 gramas e de um suco natural. O levantamento mostra como uma despesa aparentemente cotidiana pode ganhar peso relevante no orçamento quando se torna um compromisso diário.
De acordo com a pesquisa, meio quilo de comida por quilo custa, em média, R$ 39,29 nos estabelecimentos avaliados. Já o suco natural apresenta preço médio de R$ 8,10.
Somados, os dois itens representam uma despesa de R$ 47,39 por almoço. Mantendo esse padrão durante 30 dias, a conta chega aos R$ 1.421,61.
O levantamento foi realizado entre os dias 8 e 11 de setembro em 104 restaurantes e estabelecimentos de self-service de Belo Horizonte. Além da modalidade de comida a quilo, a pesquisa também comparou os valores médios cobrados pelo Prato Feito ou Executivo e pelo Marmitex Grande.
O resultado chama atenção principalmente porque o gasto mensal se aproxima do valor integral do salário mínimo. Para quem recebe R$ 1.621, o almoço diário nesse padrão consumiria praticamente nove em cada dez reais recebidos.

Prato feito também ficou mais caro
O custo das refeições fora de casa não se limita aos restaurantes de comida a quilo. Dados da Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP) mostram que o tradicional Prato Feito também registrou alta no início de 2026.
Entre janeiro e março, o preço médio subiu 1,67%, passando de R$ 29,77 para R$ 30,27. Os números fazem parte do Índice Prato Feito (IPF), indicador criado pela FAC-SP, ligada à Associação Comercial de São Paulo (ACSP), para acompanhar o comportamento dos preços das refeições consumidas fora de casa.
O levantamento nacional de março considerou 359 estabelecimentos e revelou que a composição do preço final vai muito além dos alimentos utilizados no preparo.
Segundo o economista Rodrigo Simões Galvão, responsável técnico pelo índice, despesas com mão de obra, energia elétrica, aluguel, transporte, embalagens, tributos e logística também influenciam diretamente o valor cobrado do consumidor.
Mesmo quando determinados alimentos registram alguma redução de preço, portanto, o reflexo pode não aparecer imediatamente no prato servido ao cliente. Os demais custos envolvidos na operação continuam pressionando o preço final.
Onde comer fora pesa mais no bolso
Os valores também variam consideravelmente entre as diferentes regiões do país. Conforme os dados da FAC-SP, o Sul apresenta o maior preço médio para o Prato Feito, com R$ 34,90.
O Centro-Oeste aparece logo atrás, com média de R$ 34,45, enquanto o Sudeste registra R$ 31,99. No Nordeste, o preço médio é de R$ 30,00, e o Norte apresenta o menor valor entre as regiões analisadas, com R$ 29,99.
A diferença entre o Sul e o Norte chega a aproximadamente 16,4%, mostrando como o custo de uma refeição pode mudar de acordo com a região.
Por que o preço da refeição continua subindo?
Para o consumidor, a alta no valor do almoço pode ser percebida diretamente no orçamento. Para os restaurantes, entretanto, o aumento nem sempre representa crescimento proporcional dos lucros.
Isso ocorre porque o estabelecimento precisa administrar uma série de despesas para manter as portas abertas. Além dos ingredientes, entram na conta salários, encargos trabalhistas, energia, água, gás, aluguel, transporte, tributos e outros custos operacionais.
É justamente por isso que o Índice Prato Feito foi criado como um indicador voltado ao acompanhamento da alimentação fora do lar. A proposta é mostrar como a inflação afeta uma situação comum na rotina de trabalhadores que dependem de restaurantes para fazer suas refeições.
O IPF não substitui o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE e utilizado como referência oficial da inflação brasileira. A intenção é funcionar como um termômetro mais específico de uma despesa cotidiana.











